Produtores de leite preocupados com falta de apoios e “guerra de preços”

A associação dos Produtores de Leite de Portugal (APROLEP) mostrou-se hoje preocupada com a situação do setor, seja pela falta de apoios após a guerra no Irão, a importação vinda da Europa ou a "guerra de preços" nos hipermercados.

© D.R.

Após uma “fase de alguma estabilidade”, a guerra no Irão fez com que “os preços subissem bastante”, com “as rações com um aumento à volta de 40 euros por tonelada”, diz o presidente da APROLEP, Miguel Silva.

“Neste momento, algumas fábricas até impõem alguns limites a nível de aquisição, dependendo da disponibilidade dos produtos. Estamos numa situação complicada, porque não controlamos os preços a que vendemos. Se entrarmos numa guerra de preços nos hipermercados, isso pode pôr as produções leiteiras em causa”, explica.

Miguel Silva falava à margem de uma ação da associação na rua de Santa Catarina, no Porto, durante a qual entregaram leite de produção nacional a quem passava, tentando sensibilizar para a qualidade e a valorização dos produtos portugueses.

Apesar de existirem “alguns apoios específicos”, o do gasóleo, de 10 cêntimos, “ainda não foi pago, está a decorrer a fase de candidatura”, e “fala-se num apoio para adubos, mas não se viu nada de concreto”.

“Neste momento, ainda não se viu nada, nem suficiente nem insuficiente”, critica.

Além das dificuldades do contexto de guerra, a elevada “importação de queijo em barra”, entre outras, tem prejudicado os produtores nacionais, num contexto em que há excesso produtivo no continente europeu.

As “guerras de preços no leite” voltam a prejudicar o setor, denuncia, uma “luta do passado que durou bastantes anos” e que agora recrudesce, após “um período de alguma acalmia”.

“Estas guerras de preço não ajudam ninguém, porque no fim de contas quem paga a fatura é o produtor. Obviamente, é muito fácil fazer guerra sem pagar a fatura. Os produtores vão sentir isso no bolso, o que porá em causa muitas das produções leiteiras”, admite.

Por outro lado, todo este conjunto de queixas resulta num “decréscimo bastante acentuado de produtores”, estimando a APROLEP em 1.400 no continente e mais 1.500 nos Açores, por um “valor bastante limitado” de rentabilidade do negócio que faz muitos desistirem.

Questionado sobre o que pode o Governo fazer para aumentar a resiliência do setor, simplifica: “que tudo o que fosse anunciado fosse cumprido”.

“Olhando para Espanha, vemos apoios muito maiores ao gasóleo. Nós temos 10 cêntimos, para serem pagos sabe-se lá quando, com regras um pouco estranhas. O apoio à adubação estará a funcionar em Espanha, e aqui não há nada em concreto”, refere.

O presidente da APROLEP deixou ainda um alerta ao Governo Regional dos Açores, que “tem um papel a cumprir” para evitar “uma corrida até ao fundo para ver quem chega lá primeiro”.

“Apoiar a produção sem tentar influenciar para que essa produção seja valorizada, produzir por produzir… no fim, acaba por inundar o mercado, causa-nos problemas bastante graves, e nessa guerra perdem os produtores”, lamenta.

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