Portugal deverá enfrentar onda de calor por oito a 10 dias

O tempo quente que afeta Portugal dará origem a uma onda de calor que se prolongará por oito a 10 dias e atingirá praticamente todo o país, estimou hoje o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

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A exceção serão alguns locais na zona litoral oeste e sul.

“Em relação às ondas ocorridas em 2026, podemos destacar a duração máxima de 14 dias, na onda ocorrida em março, e de 13 nas ondas de calor de abril, maio e junho”, indicou o IPMA, em resposta a questões colocadas pela agência Lusa sobre o histórico destes fenómenos.

Desde o início do ano, a equipa do IPMA estima que tenham ocorrido 59 dias em onda de calor, sendo que em 2023 foram registados 80 dias em onda de calor e em 2024 os dados apontam para 74 dias. Porém, é no período estival que o impacto é mais sentido.

A onda calor “mais impactante” em Portugal continental no período do verão foi a registada em julho/agosto de 2003, “não só pela sua extensão espacial como temporal”, tendo sido batidos vários recordes de temperatura do ar, que ainda hoje se mantém, sublinhou o IPMA.

Naquele ano, registaram-se 47,3 graus centígrados na Amareleja, concelho de Moura (Alentejo).

Nos registos do IPMA, constam igualmente oito ondas de calor em 2024 e sete ondas de calor, com diferente extensão territorial no continente, nos seguintes anos: 2009, 2015, 2017, 2020 e 2023.

A situação que está a afetar Portugal tem origem “numa ação conjunta” de um anticiclone centrado a noroeste da Península Ibérica, a estender-se em crista até às ilhas Britânicas, e de uma depressão no norte de África que, “na sua circulação conjunta”, transportam ar muito quente e seco do norte de África até ao território continental.

“Salienta-se que além dos valores muito elevados de temperatura máxima, que irão atingir entre 35 e 44 graus na generalidade do território, durante a noite as temperaturas mínimas não descerão dos 20°C, podendo mesmo situar-se entre 25 e 28°C em algumas regiões”, incluindo a Grande Lisboa, especificou o IPMA.

“A excecionalidade deste episódio de tempo quente está essencialmente na sua duração temporal bastante prolongada”, de acordo com o Instituto.

Os distritos de Évora, Beja e Portalegre vão estar a partir de quarta-feira sob aviso laranja por causa do calor, que se estende na quinta-feira a outras regiões.

A onda de calor que atinge grande parte da Europa já provocou mais de 1.300 mortes desde 21 de junho, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), enquanto vários países da Europa Central e Oriental enfrentam temperaturas recorde.

A OMS apelou aos países europeus para reforçarem os planos de prevenção e resposta às temperaturas extremas, sublinhando a necessidade de integrar estas medidas nas estratégias de adaptação às alterações climáticas.

Em Portugal, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, admitiu preocupações com a vaga de calor que se avizinha e admitiu que as temperaturas venham a ter impacto na mortalidade à semelhança de outros países.

A Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores, por seu lado, alertou para o aumento do risco de afogamento nos próximos dias, devido à subida prevista das temperaturas e apelou às autoridades para incluírem este risco nas mensagens de aviso à população.

Quase 20 concelhos dos distritos de Bragança, Castelo Branco, Santarém, Portalegre e Faro enfrentam hoje um perigo de incêndio máximo e todos os distritos do interior têm concelhos em perigo muito elevado.

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