PJ detém 12 homens por esquema de branqueamento envolvendo 17 milhões

A Polícia Judiciária (PJ) deteve hoje 12 homens no Norte do país por associação criminosa, branqueamento e burla qualificada por meio informático, pondo cobro à atividade de uma organização criminosa, que fez circular 17 milhões de euros.

© Facebook da PJ

Em comunicado, a PJ refere que, através da Diretoria do Norte, desencadeou a operação ‘Jet Lag’, na qual foram efetuadas 12 detenções e 19 buscas domiciliárias e não domiciliárias, “que permitiu pôr cobro à atividade de uma organização criminosa, ativa pelo menos desde 2021”.

“Esta organização, com uma matriz de autêntica rede de natureza transnacional, dedicava-se à prática do crime de branqueamento, associada a operações ilícitas a montante, cometidas maioritariamente em Portugal, França, Espanha e Bélgica, e concretizadas através da prática sistemática de burla qualificada, acesso ilegítimo e falsidade informática, crimes de onde resultavam as vantagens posteriormente branqueadas”, explica a PJ.

Segundo o comunicado, “no topo da organização encontrava-se um cidadão português, identificado pela PJ, residente na Bélgica, que se deslocava regularmente a Portugal para operacionalizar o processo de branqueamento”.

“Contava, para tal, com o apoio de elementos fixos em território nacional e de ‘money mules’, recrutados para constituírem uma arquitetura societária deliberadamente concebida como veículo de passagem, destinado a dissipar as vantagens ilícitas”, adianta a PJ.

A organização criminosa, acredita a investigação, “operava através de um ciclo de execução por estados, numa lógica ‘just in time’, visando a máxima eficiência na ocultação de fundos ilícitos, razão porque necessitava de um recrutamento constante ao nível das ‘money mules’, indispensáveis para corporizarem as supostas estruturas societárias”.

Posteriormente, os fundos foram transferidos para jurisdições como a Lituânia, Reino Unido, Alemanha, Bélgica, Espanha e Suécia, “configurando uma estratégia de fragmentação internacional para prevenir apreensões judiciais”.

No âmbito da operação ‘Jet Lag’, além dos 12 detidos, foram ainda apreendidas duas viaturas de alta gama, documentação relevante para a investigação e 19 contas bancárias nacionais.

Encontram-se ainda em investigação movimentos financeiros fraudulentos estimados em 17 milhões de euros, tendo já sido identificados lesados no montante de dois milhões e quinhentos mil euros, todos sociedades com sede fora de Portugal.

Os detidos, com idades entre os 30 e 60 anos, todos portugueses, vão ser presentes a primeiro interrogatório judicial para aplicação de medidas de coação.

Também em comunicado divulgado na sua página da Internet, o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), que dirige o inquérito, dá conta das 12 detenções e da realização de 19 buscas no Norte do país.

“Indicia-se que a organização, da qual os detidos fazem parte, se dedica à criação de sociedades comerciais de ‘fachada’ e, posteriormente, procede à abertura de contas bancárias, em nome dessas sociedades, com a finalidade de fazer circular fundos de proveniência ilícita, com origem em burlas ou crimes informáticos, nomeadamente ‘CEO Fraud’, através das diversas contas bancárias (nacionais e estrangeiras)”, conta o DCIAP.

O esquema ‘CEO Fraud’ caracteriza-se, essencialmente, pelo envio de emails ou mensagens de texto (sms ou através de aplicações) em que um agente malicioso, fazendo passar-se por uma entidade relacionada com a organização alvo (por exemplo, o/a diretor(a) executivo(a) ou um fornecedor), faz pedidos tipicamente de natureza financeira a colaboradores dessa mesma organização, podendo conduzir estes a realizar transferências bancárias para contas associadas ao atacante.

O inquérito encontra-se sujeito a segredo de justiça.

 

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