Professores convocados para classificar exames a poucas horas do fim do prazo

A poucas horas do fim do prazo para concluir o processo de classificação dos exames nacionais do secundário, ainda há professores a serem convocados, revelou a Missão Escola Pública.

©D.R.

Em declarações à Lusa, a porta-voz do movimento cívico, Cristina Mota revelou que “há professores a serem chamados hoje para substituir colegas que estão de baixa”.

A Lusa conhece uma das docentes convocadas hoje de manhã que, à hora de almoço, continuava a aguardar o envio de itens do exame nacional. “O ministro prometeu dez dias e nem dez horas temos [para classificar]”, desabafou a professora de Português.

“Por muito que queiram, ninguém consegue estar a trabalhar com rigor nestas condições, até porque os professores não terão qualquer possibilidade de rever as classificações”, disse Cristina Mota.

Há professores à espera das folhas de continuação em falta e outros que receberam itens para corrigir sem a folha de resposta, acrescentou, dizendo que “as pessoas não estão a conseguir sinalizar o problema”.

No dia em que os mais de 300 mil exames têm de estar classificados, a Missão Escola Pública defendeu que o ministério deveria prolongar novamente a data.

“Até acredito que o ministro dê o processo por concluído, mas acho muito difícil que alguns colegas consigam ter o processo concluído, ainda mais com os constrangimentos que a plataforma está a ter”, alertou.

Cristina Mota lembrou que foram dados mais três dias para afixar as notas, mas apenas dois extra para concluir as avaliações: “Deveria haver pelo menos mais um dia para os professores terminarem as tarefas”.

A professora de Matemática já concluiu a avaliação de todos os itens que recebeu, mas perante as falhas detetadas na plataforma sente algum receio.

Cristina Mota teve “90 provas nulas sem nada escrito pelo aluno”. Em causa estão dois itens de dificuldade média em que a resposta chegou à professora em branco.

“Eu julgo que não escreveram nada e que aquela é a folha do aluno. A média de Matemática não costuma ser muito alta, mas realmente tive muitos casos em que não estava nada escrito”, contou, explicando que o seu receio se prende com o facto de os alunos poderem ter respondido o item numa outra folha.

Pela primeira vez este ano, os exames nacionais do ensino secundário estão a ser corrigidos em formato digital, mas o processo tem registado falhas técnicas desde o início e, devido aos constrangimentos, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) adiou os prazos inicialmente previstos.

Um balanço feito na segunda-feira de manhã pelo ministro Fernando Alexandre indicava que 92% dos exames já estavam corrigidos, o que significa que num universo de mais de 300 mil provas estariam por classificar cerca de 20 mil provas.

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