“Notas não apareceram às 9 horas”: CHEGA acusa Governo de fazer “roleta russa” com a vida dos alunos

O partido liderado por André Ventura recebeu queixas de encarregados de educação, esta manhã, porque as notas dos exames não estavam disponíveis à hora prevista.

© D.R.

“O ministro não quer responder aos deputados. É uma vergonha para o lugar que ocupa.” Foi desta forma que o CHEGA, pela voz do deputado do CHEGA Rui Cardoso, começou por culpabilizar, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, no debate de urgência sobre o caos nos exames nacionais, sobre o caos instalado nos exames nacionais.

Durante o debate parlamentar, o CHEGA acusou o Governo de ter mergulhado alunos, pais e professores num clima de incerteza e responsabilizou o ministro pela forma como foi conduzido o processo de classificação e divulgação dos exames nacionais.

Rui Cardoso revelou que, logo nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira, começou a receber mensagens de encarregados de educação preocupados com o atraso na publicação das pautas.

“Hoje de manhã recebemos mails e mensagens de encarregados de educação a avisar que as notas dos exames não foram publicadas como deveriam ter sido às 9 horas da manhã”, afirmou.

A divulgação das classificações já estava envolta em incerteza desde quinta-feira. Na véspera, Fernando Alexandre admitira a possibilidade de as pautas não serem afixadas durante o dia de sexta-feira, numa altura em que ainda faltava classificar cerca de 0,5% das provas. Poucas horas depois, mostrou-se, contudo, confiante de que os resultados seriam divulgados durante a tarde.

A crise, porém, arrasta-se há várias semanas. A estreia da classificação digital dos exames nacionais ficou marcada por sucessivos constrangimentos técnicos, desde atrasos na disponibilização das provas aos classificadores até falhas na digitalização das respostas, dificuldades na plataforma informática e necessidade de redistribuir provas para nova avaliação.

Perante os problemas, o Ministério da Educação adiou a divulgação das classificações de 14 para 17 de julho e prolongou, já perto do termo do prazo, o período de classificação por mais 24 horas. Ainda assim, na quinta-feira permaneciam provas por corrigir, contrariando as sucessivas garantias de que o calendário seria cumprido.

Para o CHEGA, o problema deixou de ser apenas técnico e passou a ser uma questão de responsabilidade política.

“Estão a fazer roleta russa com a vida dos estudantes”, acusou, defendendo que “as reformas implicam responsabilidade” e apelando ao Governo para deixar de “atirar responsabilidades para cima dos outros”.

O deputado do CHEGA fez ainda questão de destacar o papel dos professores, considerando que também eles foram vítimas dos constrangimentos provocados pelo novo modelo de classificação digital, enquanto o Ministério, afirmou, falhou na gestão do processo.

“Quem foge ao escrutínio não é digno do lugar que ocupa. O desastre na Educação é da sua responsabilidade”, concluiu, responsabilizando diretamente o ministro pela crise que marcou a fase decisiva dos exames nacionais.

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