Oito casos por dia: filhos violentos aterrorizam os próprios pais

Quase 1500 processos chegaram à PSP e à GNR em apenas seis meses, mas as autoridades admitem que o instinto dos pais de protegerem os filhos pode estar a esconder uma realidade muito maior.

© D.R.

A violência no seio familiar está a revelar uma realidade particularmente inquietante. Nos primeiros seis meses deste ano, PSP e GNR abriram 1474 processos relativos a situações em que o alegado agressor é um filho e a vítima um dos pais, segundo dados das duas forças de segurança divulgados pela Renascença.

Feitas as contas, são cerca de oito queixas por dia por violência de filhos contra os próprios pais, indica o Correio da Manhã.

Os números representam um agravamento da média diária face a 2025, ano em que esta tipologia de violência tinha registado uma redução de 6%. Foram então contabilizados 2639 casos, contra 2802 em 2024, o equivalente a cerca de sete queixas por dia.

Os dados da GNR permitem traçar um retrato mais detalhado das vítimas e revelam uma diferença expressiva entre homens e mulheres. As queixas de violência contra mães ou madrastas são cerca de três vezes superiores às registadas contra pais ou padrastos.

Entre as mulheres, o fenómeno atinge sobretudo aquelas que têm entre 41 e 74 anos, a faixa etária mais representada nas ocorrências registadas pela GNR.

Mas os processos conhecidos pelas autoridades poderão representar apenas uma parte de uma realidade que permanece escondida dentro de muitas casas. Bruno Pereira, presidente do Sindicato Nacional de Oficiais da PSP (SNOP), admite que a relação entre pais e filhos pode levar muitas vítimas a não denunciarem as agressões, revela o Correio da Manhã.

Na origem deste silêncio poderá estar o instinto de proteção dos próprios pais, que continuam a proteger os filhos mesmo quando são eles as vítimas da violência. Uma realidade que, segundo o responsável, ajuda a explicar por que razão muitos casos poderão nunca chegar às autoridades.

Os últimos meses ficaram, entretanto, marcados por episódios extremos de violência familiar que terminaram em tragédia.

Em agosto, no Dafundo, em Algés, um jovem de 15 anos confessou ter estrangulado mortalmente a mãe na sequência de uma discussão. No mesmo mês, em Viana do Castelo, um homem de 50 anos, professor, incendiou uma habitação num caso que culminou na morte da mãe.

Um mês antes, em São Domingos de Benfica, Lisboa, uma criança de 11 anos esfaqueou o pai num braço e numa perna quando tentava defender a mãe durante uma situação de violência entre os progenitores.

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