Uma fiscalização a um estabelecimento de restauração e bebidas no Bairro Alto da Cova da Moura, na Amadora, transformou-se numa operação de elevado risco para os polícias envolvidos. Pedras, garrafas e até disparos de arma de fogo marcaram mais de duas horas de intervenção, segundo revelou a PSP.
A operação decorreu na sexta-feira, 25 de setembro, e mobilizou um dispositivo reforçado, segundo comunicado da PSP. Para proteger os agentes responsáveis pela fiscalização, foi criado um perímetro de segurança com Equipas de Intervenção Rápida, Equipas de Prevenção e Reação Imediata e carros de patrulha.
A tensão, segundo a PSP, começou praticamente à entrada no bairro. Os agentes terão sido recebidos com insultos e apelos para abandonarem o local.
Cerca de 15 a 20 minutos depois do início da operação, a situação agravou-se. Um grupo de pessoas começou a lançar pedras e garrafas de vidro contra os polícias, tanto a partir da rua como de telhados nas imediações. Perante a continuação dos ataques, a PSP recorreu a munições de baixa potencialidade letal para conter a ameaça e manter o perímetro de segurança.
Mas os momentos de maior tensão ainda estavam para chegar, pode-se ler no documento. À medida que a fiscalização prosseguia, aumentava o lançamento de objetos e, segundo a polícia, começaram a ouvir-se vários disparos de arma de fogo provenientes de diferentes pontos do bairro.
A fiscalização acabou por revelar várias irregularidades. Foi elaborado um auto de notícia por crimes contra a autoridade e outro por tráfico de estupefacientes, tendo sido apreendidos mais de 600 euros em dinheiro. Uma arma de fogo e seis munições foram igualmente apreendidas.
As autoridades encontraram ainda duas garrafas de óxido nitroso e 300 balões, avaliados em 135 euros. Foram levantados dois autos de contraordenação relacionados com a introdução irregular de bebidas espirituosas no consumo.
Um dos estabelecimentos viu a atividade suspensa por falta de condições de higiene. Foram também levantados dois autos por falta de licença de utilização, com apreensão de equipamento de som e bebidas, e emitida uma notificação para a retirada de uma roulotte de venda de comida e bebidas que se encontrava na via pública.
A lista de irregularidades não ficou por aí: houve ainda dois autos por falta de declaração de início de atividade, dois por ausência de documentos de transporte e duas notificações para apresentação de documentação.