O presidente do CHEGA, André Ventura, acusou esta segunda-feira, na sede nacional do partido, o PS de fugir às responsabilidades pela crise da habitação e de demonstrar “hipocrisia” ao criticar a abstenção do CHEGA nas propostas do Governo, quando os próprios socialistas anunciaram a intenção de viabilizar o Orçamento do Estado antes de conhecerem o documento.
Em resposta às críticas do secretário-geral socialista, José Luís Carneiro, que atribuiu ao CHEGA e a André Ventura o “prémio da hipocrisia”, o líder do partido devolveu a acusação, questionando como pode o PS censurar uma abstenção parlamentar e, simultaneamente, comprometer-se a não chumbar um Orçamento ainda por discutir.
“Decide dar luz verde a um Orçamento sem o ver, com medidas para a habitação ainda por discutir. Isto é que é hipocrisia!”, afirmou.
O líder do CHEGA apontou diretamente aos anteriores governos socialistas, recordando que os preços das casas terão aumentado 90% desde o início da governação de António Costa, período durante o qual José Luís Carneiro também exerceu funções governativas.
“O PS tornou-se um partido obcecado pelo poder”, acusou, acrescentando que, se Luís Montenegro tem falhado “brutalmente” na resposta à crise, os socialistas “fizeram pior”.
Medidas urgentes para baixar os custos da habitação
Perante o agravamento das dificuldades de acesso à habitação, Ventura defendeu a adoção de um pacote de emergência que combine medidas fiscais, apoios diretos às famílias e simplificação dos processos de licenciamento.
Entre as prioridades apresentadas estão o regresso das deduções em IRS associadas ao crédito à habitação, o reforço dos benefícios fiscais para despesas habitacionais e a criação de mecanismos de apoio às famílias confrontadas com rendas cada vez mais elevadas.
O líder do CHEGA defendeu ainda a redução da burocracia nos licenciamentos, considerando essencial acelerar a construção e aumentar a oferta de casas no mercado.
O presidente do CHEGA defendeu também uma maior diferenciação nos apoios à habitação pública, distinguindo as famílias que enfrentam dificuldades económicas daquelas que, segundo afirmou, ocupam imóveis públicos sem cumprir as respetivas obrigações de pagamento.
“Os arruaceiros têm de cumprir a lei”
O presidente do segundo maior partido criticou ainda a atuação de grupos que identificou como pertencentes à esquerda e à extrema-esquerda, acusando-os de se apropriarem dos protestos relacionados com a crise da habitação.
O líder do CHEGA considerou inaceitáveis os episódios que referiu terem ocorrido em Marselha, França, e acusou as autoridades e parte da comunicação social de adotarem critérios diferentes consoante a orientação política dos manifestantes.
“Como são de esquerda, ninguém diz nada. Está tudo bem. Se fossem de direita, já haveria militares na rua”, declarou.
Ventura insistiu que os protestos devem representar as preocupações legítimas de quem trabalha, desconta e enfrenta dificuldades para pagar uma casa, defendendo que as autoridades devem atuar perante comportamentos ilegais.
“Os arruaceiros têm de cumprir a lei. E as autoridades devem agir”, sublinhou.
“PS e PSD são responsáveis pela crise da habitação”
André Ventura reiterou que a abstenção do CHEGA nas propostas do Governo para o arrendamento pretende permitir a discussão e o aperfeiçoamento das medidas na especialidade, sem representar um apoio incondicional ao Executivo.
O presidente do CHEGA voltou a acusar o PS de incoerência por invocar a norma-travão para contestar propostas de apoio às rendas fora do Orçamento do Estado, ao mesmo tempo que admite viabilizar o documento orçamental.
Para Ventura, os portugueses exigem respostas concretas e não disputas partidárias, responsabilizando os dois partidos que têm alternado na governação pela dimensão da crise habitacional.
“Este é um problema legítimo e o PS e o PSD são responsáveis por isto”, concluiu.