O presidente do CHEGA, André Ventura, acusou, esta terça-feira, grupos de extrema-esquerda de terem transformado os protestos pela habitação em episódios de provocação e confronto com as forças de segurança. Em declarações no Parlamento, Ventura afirmou que reivindicações legítimas foram aproveitadas por indivíduos que procuravam instalar a desordem nas ruas.
“Vemos gente que se queria manifestar e que se deixou infiltrar por um conjunto de arruaceiros de extrema-esquerda”, afirmou, considerando que a provocação às autoridades foi “absoluta e incontornável”.
Ventura defendeu a atuação das forças policiais, sustentando que estas procuraram dialogar antes de fazer cumprir a lei. “O país não pode ter acampamentos montados nos centros das cidades”, declarou, acusando os envolvidos nos confrontos de procurarem “desorganização, conflito e confusão”.
O presidente do segundo maior partido acusou o Governo de Luís Montenegro de ter perdido “toda a empatia e ligação com os cidadãos”, considerando insuficiente a apresentação de um Orçamento do Estado que não responda às dificuldades das famílias.
Ventura recordou que o CHEGA apresenta propostas para o setor há cinco anos e defendeu a aprovação de um pacote de emergência para a habitação, incluindo medidas fiscais de apoio aos arrendatários.
“Não é com conversas, é com propostas orçamentais”
O líder da oposição criticou também a iniciativa da presidente da Iniciativa Liberal de promover uma reunião entre partidos para discutir soluções para a habitação.
“Podemos reunir as vezes que quiserem, mas as medidas ou constam do Orçamento do Estado ou não vão valer de nada”, afirmou.
Ventura insistiu que o debate orçamental constitui o momento decisivo para responder à crise habitacional, defendendo que as soluções devem traduzir-se em medidas concretas e não em sucessivas reuniões políticas.
“Se queremos resolver os problemas das pessoas, não é com conversas, é com propostas orçamentais”, sublinhou.
O presidente do CHEGA criticou ainda o PSD por rejeitar a recuperação de deduções fiscais associadas ao arrendamento e desafiou o PS a esclarecer se pretende privilegiar o entendimento orçamental com o Governo ou apoiar novas medidas para a habitação.