“As pessoas que se deslocam de Évora ou Beja para Lisboa, por razões profissionais, de cuidados de saúde ou para estudar veem a vida completamente infernizada com esta situação”, afirmou hoje à agência Lusa Carlos Reforço, porta-voz da comissão.
Convocada pela comissão de utentes, a concentração está marcada para sexta-feira, às 18:00, junto à Estação Ferroviária de Évora, para chamar à atenção para “o agravamento das dificuldades no acesso ao transporte ferroviário”.
O porta-voz da comissão de utentes justificou a realização deste protesto com “a degradação da qualidade do serviço ferroviário de passageiros na Linha de Évora e na Linha do Alentejo”.
“Tem-se vindo a acentuar a perda de qualidade neste serviço e, desde que foi criado o Passe Ferroviário Verde, que por si só foi uma boa medida, depois estimulou-se a procura, mas não se tratou da oferta”, criticou.
Assinalando que o material circulante destas linhas “é o mesmo, é escasso”, Carlos Reforço alertou que os utentes, para conseguirem uma viagem no Intercidades (IC), estão “sempre” sujeitos a “uma autêntica lotaria”.
Um utente que não faça a marcação da viagem com antecedência de 24 horas “arrisca-se a não ter lugar” e, até os que têm o Passe Ferroviário Verde, “depois podem não conseguir usufruir do serviço”, frisou.
Segundo o responsável, as composições do IC são constituídas por uma locomotiva, uma carruagem de 1.ª classe e duas de 2.ª, sendo que o Passe Ferroviário Verde apenas dá acesso às duas carruagens de 2.ª classe, que têm no total cerca de 170 lugares.
“O resultado é o que está à vista: pessoas a ficarem em terra, porque as carruagens de IC não foram projetadas para transportar pessoas em pé, como acontece nos comboios suburbanos e no metro, em que as pessoas têm varões, pegas para se agarrar”, advertiu.
Carlos Reforço realçou que o IC que liga Évora a Lisboa “também apanha os passageiros que vêm de Beja, em Casa Branca”, e indicou que o comboio serve sete concelhos da região: Beja, Cuba, Alvito, Évora, Viana do Alentejo, Montemor-o-Novo e Vendas Novas.
O porta-voz aludiu, igualmente, aos problemas existentes no serviço ferroviário no troço entre Beja e Casa Branca, em que “as avarias nas velhinhas automotoras são praticamente diárias”.
“Os atrasos e as avarias que deviam ser situações pontuais são quase ocorrências diárias”, relatou, referindo que o IC que sai de Évora “tem de esperar frequentemente pelo comboio que vem de Beja” e a espera chega a ser de “meia hora, 45 minutos ou horas”.
De acordo com o responsável desta comissão de utentes, está em curso um abaixo-assinado em defesa da Linha do Alentejo, através da Internet e em papel, que conta já no total com cerca de 5.000 assinaturas.
“A nossa intenção é chegar às 7.500 para, depois, entregar a petição no Parlamento”, acrescentou.