Pais admitem precisar de mais tempo e literacia digital para apoiar os filhos

Os pais reconhecem que precisam de mais tempo disponível e mais literacia digital para acompanhar melhor os filhos e pedem apoio para toda a comunidade educativa e mais atenção à saúde mental da comunidade.

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Em declarações à Lusa a propósito da série de sucesso Adolescência, da Netflix, que aborda os perigos da disseminação do discurso misógino e violento nas redes sociais e em grupos fechados, Mariana Carvalho, da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), concorda que mais literacia é o caminho.

“Não é fácil acompanhar todas estas questões que envolvem o digital e as redes sociais”, reconhece a responsável, dizendo acreditar que apenas com uma maior sensibilização sobre a boa utilização das ferramentas digitais é possível “desenvolver competências para perceber onde é que estão os riscos”.

Rejeita a proibição do uso dos telemóveis nas escolas – “não é esse o caminho” – e defende que, não só os pais, mas “toda a comunidade educativa deve aprender também a utilizar as tecnologias”.

“Temos promovido alguns ‘webinars’ junto dos pais, mas abertos à comunidade educativa, e é fundamental haver também dentro das escolas, para os alunos, para os professores e para técnicos e assistentes operacionais, porque todos precisamos de saber utilizar a tecnologia da melhor maneira”, afirma a responsável.

A presidente da Confap considera que o facto de “todos usarem as redes sociais acaba por camuflar a falta de literacia digital”: “não é por a população saber fazer uns comentários na rede social que tem literacia digital. Por vezes nem consegue distinguir uma noticia verdadeira de algo que não aconteceu”.

Sobre o tempo de qualidade, concordam que, com as deslocações e os horários de trabalho intensos, sobre pouco tempo de qualidade aos pais e diz que “a escola não consegue responder às necessidades”, sobretudo das famílias monoparentais.

Mariana Carvalho reconhece que o teletrabalho “facilita um pouco”, mas diz que é preciso parar para refletir: “temos de pensar o que queremos enquanto comunidade”.~

A responsável acredita que é “fundamental e imperativa” a criação de gabinetes de apoio à comunidade educativa, “com o foco na saúde mental e emocional”.

“Eu própria e agora enquanto presidente da Confap há três anos de reivindico. Precisamos de equipas multidisciplinares nas escolas para conseguirmos dar o suporte e o apoio na prevenção”, afirma, acrescentando: “Não é quando o dano já chegou. E nós sabemos que está a chegar”.

Apesar de dizer que a série Adolescência “não traz nada novo”, admite que pode alertar consciências: “Até pode trazer aqui alguma informação que nós, enquanto sociedade, não estamos a conseguir transmitir”.

“Pelo menos, que sirva para, de facto, sentirmos que pode acontecer dentro das nossas casas. Para que possamos ter estratégias para trazer segurança para os nossos filhos”, acrescenta.

Diz que muitas vezes os pais “julgam que conhecem os filhos, mas não conhecem”, mas acredita “no exemplo”. Defende que “amor e acompanhamento” são a melhor receita e que não se deve pôr a culpa sempre nos pais.

“Para pais, mães e famílias é importante haver uma cooperação da sociedade. A comunidade, em conjunto, tem de encontrar as melhores estratégias”.

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