Presidente da Câmara de Coimbra ameaça cortar A1 e linha do Norte para IP3 ser autoestrada

O corte da A1 Lisboa -- Porto e da linha do Norte é o desafio feito pelo presidente da Câmara de Coimbra aos autarcas daquela região e de Viseu para que o Itinerário Principal 3 (IP3) seja transformado em autoestrada.

© Facebook Município de Coimbra

“Infelizmente, os autarcas desta região ainda não se motivaram suficientemente – e por isso têm responsabilidades naquilo que se passa – para aceitar o desafio da Câmara Municipal de Coimbra, que é juntarmo-nos todos e sermos consequentes nas nossas ações reivindicativas, cortando o trânsito na linha [ferroviária] do Norte e na autoestrada A1”, disse à agência Lusa José Manuel Silva.

“Porque aí sim, aí faz-se sentir a verdadeira ação, intervenção e empenho dos autarcas da região”, acrescentou.

Em declarações prestadas no IP3, no final da chamada ‘descida do Botão’, local que não hesitou em classificar de “perigoso”, José Manuel Silva observou que, na questão rodoviária, a engenharia “tem soluções para tudo”.

“É é uma questão de financiamento, porque é claro que os custos [de construir uma autoestrada] não são os mesmos. Mas o IP3 e esta região (…) merecem esse investimento”, considerou.

O autarca defendeu o prolongamento até ao IP3 da autoestrada do Pinhal Interior (A13), que faz a ligação entre a A23, no Entroncamento, passando por Tomar, até à zona de Ceira, a sudeste de Coimbra, e que liga à A1 em Condeixa-a-Nova, e também o prolongamento da A14 Figueira da Foz — Coimbra até Viseu, incorporando o atual troço de 75 quilómetros (km) do IP3, que seria, assim, transformado “em verdadeira autoestrada”.

Questionado sobre a intenção, manifestada à Lusa, do presidente da Câmara de Viseu e da comunidade intermunicipal (CIM) Viseu Dão-Lafões, Fernando Ruas, em reunir com a sua congénere da Região de Coimbra para tomarem uma posição conjunta sobre o IP3, José Manuel Silva avisou que “a retórica nada resolve”.

“É perder tempo. Se é só para retórica, não contem com a nossa presença (…). Se for para definir ações concretas de reivindicação forte, ações de força, para exigir respeito para com esta região, então contem comigo na primeira linha”, vincou.

Já Fernando Ruas mantém a esperança de que “finalmente” o IP3 possa ser “devidamente requalificado”.

“E devidamente requalificado são quatro vias a unir as duas principais cidades do interior”, declarou.

O autarca de Viseu recordou o historial das promessas de obras no IP3 nas últimas duas décadas, destacando o sucedido em 2008, quando o então primeiro-ministro José Sócrates anunciou a criação de uma autoestrada, com direito a placa a assinalar a data, aposta na Câmara Municipal de Mortágua, onde se mantém, sem que o projeto tenha avançado.

Sobre a intervenção agora programada para o IP3, a decorrer até 2027, com o início das obras em 2024 no troço entre Santa Comba Dão e Viseu, mas maioritariamente (20 dos quase 28 km) no concelho de Tondela, Fernando Ruas discordou do troço escolhido para fazer a duplicação inaugural.

“Ocorre exatamente num troço que é aquele que tem menos problemas (…). Eu quero a obra, só que quem tem responsabilidades políticas tem de definir prioridades. Era muito mais importante e mais prioritário onde há estrangulamentos, que é na zona de Penacova”, argumentou.

Em Penacova – município que, juntamente com Coimbra, recebeu em 1991 o primeiro troço, com 24 km de extensão — o presidente da Câmara lembrou que o IP3, quando foi construído, “já nasceu torto”, com “altos níveis de sinistralidade, quase desde o minuto zero, o que levou a que houvesse muita contestação em relação ao seu traçado e à forma como ele foi desenhado”.

O crescente número de acidentes graves, nomeadamente com colisões frontais, levou à colocação, a partir do final da década de 1990, de um separador central em betão, em toda a extensão do troço que atravessa o concelho de Penacova.

“Diminuiu muito a sinistralidade neste troço, sobretudo aqui na zona de Penacova, mas é uma adaptação que se tornou quase definitiva. Ou seja, temos um traçado mais estreito em algumas zonas, o que dificulta o trânsito, sobretudo nas ultrapassagens entre pesados e ligeiros”, observou Álvaro Coimbra.

Para o autarca, o maior problema do IP3 tem sido a “derrapagem nos prazos” de obra: “O Governo tem anunciado, nos últimos anos, uma intervenção para duplicação de 85% do traçado entre Coimbra e Viseu, mas esse calendário tem vindo a ser sucessivamente atrasado. Isso não se compadece com a realidade do país hoje em dia, falamos de milhões e milhões de fundos comunitários, com muitas autoestradas sobretudo no litoral, e temos duas capitais de distrito, Coimbra e Viseu, que deviam, desde há muito tempo, ter uma ligação de autoestrada. E não têm”, lamentou.

Quem também defendeu a criação de uma autoestrada foi o presidente do município de Santa Comba Dão, Leonel Gouveia, que argumentou que “não faz sentido” existirem vias com aquelas características entre Coimbra e a Figueira da Foz (a A14) e outra de Viseu para norte, por Vila Real, até à fronteira de Vila Verde da Raia (A24), “e as duas cidades daqui da Beira não têm uma ligação com perfil de autoestrada”.

“É uma lacuna de há muitos anos, que vem a ser sucessivamente adiada pelos vários governos, mas eu acho que é imperioso que ela [a obra] se conclua rapidamente”, advogou Leonel Gouveia.

Por outro lado, o autarca quer que sejam resolvidos “rapidamente” os constrangimentos existentes no troço que vai “do sul de Santa Comba Dão até à passagem pelo concelho de Penacova”, uma das zonas mais sinuosas do traçado do IP3, onde chega a existir, no sentido Coimbra-Viseu, uma zona em que se circula pela berma, junto a um separador de betão.

Depois, há ainda as questões relacionadas com o trânsito local, que em algumas zonas do distrito de Viseu se confunde com o próprio IP3, nomeadamente onde o Itinerário Principal foi construído utilizando partes da Estrada Nacional 2.

“Hoje, em Santa Comba Dão, este troço sobre o qual estamos a falar, não é IP3, é de trânsito local também, o que condiciona naturalmente a circulação. É necessário, rapidamente, lançar os segundos concursos, para que esta obra se concretize na sua plenitude”, frisou Leonel Gouveia.

Últimas do País

A PSP recolheu este ano, em dois meses, 265 armas de fogo e quase seis mil munições e cartuchos, mais do que nas operações realizadas nos dois últimos anos, avançou hoje esta polícia.
A GNR anunciou hoje que dois homens de 23 e 55 anos, de Vila do Conde, foram constituídos arguidos pelo crime de contrafação de marcas conhecidas, tendo apreendido artigos avaliados em cerca de 40 mil euros.
Noite entre amigos terminou em tragédia. Uma pistola de calibre 6,35 milímetros terá disparado acidentalmente enquanto era manuseada dentro de um café. Jovem foi atingido na cabeça e luta pela vida nos Cuidados Intensivos do Hospital de Braga.
Quase 1500 processos chegaram à PSP e à GNR em apenas seis meses, mas as autoridades admitem que o instinto dos pais de protegerem os filhos pode estar a esconder uma realidade muito maior.
Registos foram reorganizados e quase 170 mil inscritos ficaram fora do universo elegível. Ainda assim, mais de 1,36 milhões de utentes que cumprem os critérios continuam à espera de um médico.
Pontos que não aparecem, ofertas que falham e problemas com campanhas estão entre as principais razões de queixa. Setor soma praticamente tantas reclamações em oito meses como em todo o ano passado.
O tempo de espera para primeira observação de doentes urgentes no Hospital Amadora-Sintra era, na manhã de hoje, de quase 11 horas, segundo o portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Funcionário estranhou ver o saco abandonado durante vários dias nas imediações de uma unidade hospitalar, em Alvalade, e decidiu entregá-lo à PSP. Lá dentro estavam milhares de euros, droga, certificados de aforro avaliados em 16 mil euros e dois telemóveis.
A Federação Nacional de Professores (Fenprof) denunciou hoje que persistem “2.650 horários em oferta de escola que cobrem a mais de 50 mil horas” por preencher, a poucos dias do início do ano letivo.
A doença de Newcastle foi já confirmada em aves selvagens em quatro ilhas nos Açores, revelou hoje o diretor regional da Agricultura, Veterinária e Alimentação, acrescentando que até ao momento não foi detetada em aves de capoeira.