O que esperar das primárias de New Hampshire?

A corrida pela nomeação republicana à Presidência convergirá na terça-feira em New Hampshire, estado norte-americano que sediará as próximas eleições primárias, com Donald Trump novamente como favorito.

©facebook.com/DonaldTrump

As primárias republicanas testarão a liderança do ex-presidente Trump num estado em que venceu por uma margem confortável nas primárias de 2016, mas que tem um eleitorado consideravelmente mais moderado do que aquele que lhe proporcionou uma grande vitória nos ‘caucus’ do Iowa a 15 de janeiro.

Serão também um teste para a ex-embaixadora junto da ONU Nikki Haley, que quer estabelecer-se como a principal alternativa a Trump. O governador da Florida, Ron DeSantis, que superou Haley pelo segundo lugar em Iowa, está agora concentrado nos seus esforços na Carolina do Sul, após dois debates programados em New Hampshire terem sido cancelados. Trump mantém uma liderança consistente nas sondagens, com Haley, ex-governadora da Carolina do Sul, a aparecer na melhor posição para desafiar o magnata.

Já nas primárias democratas, o Presidente e principal candidato, Joe Biden, não aparecerá nos boletins de voto, uma vez que a disputa de New Hampshire viola as regras do partido nacional, mas os seus apoiantes estiveram em campanha nas últimas semanas. Eis o que esperar das primárias de New Hampshire:

*** Qual o cronograma da eleição em New Hampshire? ***

As primárias presidenciais de New Hampshire serão realizadas na terça-feira. As últimas urnas no estado fecham às 20h00 (hora local, 01h00 em Lisboa), embora as urnas na maior parte do estado encerrem às 19h00 e algumas às 19h30. No pequeno município de Dixville Notch, que tem apenas alguns residentes, as urnas abrem à meia-noite e fecham alguns minutos depois, quando todos os eleitores votam, sendo a primeira localidade a votar.

*** O que aparecerá nos boletins de voto? ***

A votação nas primárias republicanas incluirá os nomes de 24 candidatos, incluindo DeSantis, Haley e Trump. A votação também inclui os nomes dos candidatos que desistiram, como Chris Christie, Asa Hutchinson, Vivek Ramaswamy, entre outros.

Por outro lado, a votação democrata terá os nomes de 21 candidatos, incluindo Phillips e Williamson. Biden não será incorporado na cédula.

O Comité Nacional Democrata, que tem a palavra final sobre a forma como o seu candidato presidencial será escolhido, afirma que os responsáveis do partido estadual de New Hampshire violaram as regras partidárias nacionais ao agendar a sua disputa antes do permitido, uma vez que foi a Carolina do Sul o estado escolhido pelo Comité para o arranque das primárias.

Entre os candidatos democratas cujos nomes aparecerão nas urnas estão o do congressista Dean Phillips, de Minnesota, e da escritora Marianne Williamson.

*** Quem pode votar? ***

Os eleitores registados podem votar apenas nas primárias do seu partido. Por outras palavras, os democratas registados podem votar apenas nas primárias democratas e os republicanos registados podem votar apenas nas primárias republicanas. Eleitores independentes ou não afiliados podem votar em qualquer uma das primárias.

Novos eleitores podem registar-se no dia das primárias num local de votação, mas o prazo para alterar a filiação partidária dos eleitores já registados terminou em outubro. Os jovens de 17 anos que completarão 18 anos nas eleições gerais de novembro poderão votar nas primárias.

*** Quais as regras de alocação de delegados? ***

Para os republicanos, os resultados das primárias estaduais serão usados para determinar quantos dos 22 delegados da Convenção Nacional Republicana cada candidato ganhou.

Os delegados são alocados aos candidatos proporcionalmente à parcela que obtiverem na votação em todo o estado, embora um candidato deva receber pelo menos 10% dos votos para se qualificar para delegado. Quaisquer delegados não alocados serão atribuídos ao vencedor estadual. Ao contrário de outros estados, os delegados republicanos de New Hampshire não são distribuídos por distrito eleitoral.

Para os democratas, nenhum delegado será alocado com base nos resultados das primárias, de acordo com o Comité Nacional Democrata, que rege o processo de nomeação.

*** O que indicam os dados anteriores e como será feita a contagem? ***

Trump venceu uma primária competitiva em New Hampshire em 2016 com 35% dos votos, mais do dobro do que o seu concorrente mais próximo, o então governador de Ohio, John Kasich. O magnata teve um melhor desempenho nas áreas fortemente republicanas do estado, superando Kasich por uma proporção de quase 4-1. Trump teve um pior resultado nas áreas fortemente democratas do estado, embora ainda tenha terminado ligeiramente à frente de Kasich nessas localidades.

No Iowa, na noite de segunda-feira, Haley teve um melhor desempenho nas áreas do estado mais favoráveis aos democratas, mas terminou com mais votos do que o ex-presidente em apenas um condado. Para ser competitiva contra Trump em New Hampshire, a ex-embaixadora certamente precisará de derrotar Trump de forma definitiva nos redutos democratas do estado. Se Trump obtiver grandes margens nestas áreas, incluindo em Concord e Portsmouth, estará provavelmente a caminho de uma vitória decisiva em todo o estado.

*** Como será a participação e a votação antecipada? ***

Em 28 de dezembro de 2023, havia cerca de 873.000 eleitores registados em New Hampshire. Os republicanos registados representam 31% dos eleitores, em comparação com 30% dos democratas. Os eleitores independentes ou não afiliados representam 39% de todos os eleitores.

Nas mais recentes primárias presidenciais democratas em New Hampshire, a participação em 2020 foi de 43% dos eleitores elegíveis – aqueles que estão registados como democratas ou não afiliados – e 41% em 2016. No lado republicano, a participação foi de 23% dos eleitores elegíveis em 2020, quando Trump concorreu à reeleição, e 44% em 2016, quando o magnata concorreu pela primeira vez.

A votação antecipada não é particularmente popular em New Hampshire. Nas primárias de 2020, os votos lançados antes do dia da eleição representaram apenas 7% dos votos nas primárias democratas e 4% dos votos nas republicanas.

*** O que indicam as sondagens? ***

Três sondagens de alta qualidade realizadas em New Hampshire após os ‘caucus’ do Iowa evidenciaram a consistência do favoritismo de Donald Trump face aos seus oponentes na corrida à indicação republicana, com Haley a posicionar-se como a principal adversária.

Duas sondagens do Boston Globe/NBC-10/Suffolk, assim como outro levantamento feito pelo St. Anselm College, mostram o ex-presidente a superar a ex-embaixadora da ONU Nikki Haley por dois dígitos, dando todas elas 50% – ou mais – dos votos a Trump.

Ainda de acordo com as três sondagens, Haley vence entre os independentes por entre 10 a 20 pontos, enquanto Trump sai vitorioso entre republicanos registados por cerca de 40 pontos.

Últimas de Política Internacional

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alertou hoje que a Rússia se prepara para lançar uma nova ofensiva em grande escala na Ucrânia, de acordo com os meios de comunicação locais.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca convocou hoje o encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos devido a alegadas tentativas norte-americanas de interferência junto da opinião pública da Gronelândia.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, afirmou hoje que o Governo iraniano está por trás de ataques antisemitas no país contra a comunidade judaica e anunciou a expulsão do embaixador iraniano em Camberra.
Trump disse que vários países europeus já mostraram disponibilidade para enviar militares para a Ucrânia, como tal "não será um problema" responder às garantias de segurança exigidas pelo homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu hoje uma frente unida entre europeus e ucranianos em defesa de uma paz que não represente a capitulação da Ucrânia, na véspera da reunião com Donald Trump, na Casa Branca.
O enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, disse hoje que Putin concordou, na cimeira com Donald Trump, que sejam dadas à Ucrânia garantias de segurança semelhantes ao mandato de defesa coletiva da NATO.
O Presidente russo, Vladimir Putin, disse hoje que discutiu formas de terminar a guerra na Ucrânia "de forma justa", na cimeira com o homólogo norte-americano, Donald Trump, na sexta-feira, defendendo a “eliminação das causas iniciais”.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse hoje que “todos” preferem ir “diretamente para um acordo de paz” e não “um mero acordo de cessar-fogo” para acabar com a “terrível guerra” na Ucrânia.
O futuro da Ucrânia passa hoje pelo Alasca, uma antiga colónia russa onde os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia se vão reunir sem a participação do país invadido por Moscovo.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou hoje que qualquer acordo para pôr fim à guerra na Ucrânia terá de passar por uma cimeira com os homólogos russo e ucraniano, após a cimeira bilateral na sexta-feira.