Seia conta já seis casas de segunda habitação destruídas

O presidente da Câmara de Seia, Luciano Ribeiro, disse hoje que estão contabilizadas seis casas de segunda habitação destruídas pelos incêndios no concelho, mas a avaliação dos prejuízos prossegue.

© LUSA/PAULO CUNHA

“Nesta fase, ainda que o incêndio não esteja dado como dominado, estamos a fazer o levantamento dos prejuízos, a tentar manter as vias municipais desimpedidas e também estamos a fazer o apuramento mais fino daquilo que tinha sido o levantamento dos prejuízos em edificado, nomeadamente habitações”, afirmou à agência Lusa Luciano Ribeiro.

Segundo o autarca, além dos prejuízos em casas, está, igualmente, a ser verificada as “condições de segurança de alguns imóveis que poderão colocar em risco a via pública ou os vizinhos”.

A Câmara de Seia iniciou hoje a entrega de palha aos proprietários de animais e de alimento artificial aos apicultores, com Luciano Ribeiro a assegurar que este apoio vai ser mantido e a agradecer a solidariedade de empresas e pastores.

O autarca reconheceu ser necessário “dar ânimo” às pessoas que têm estas atividades, “nalguns casos secundárias na sua vida profissional”, para que as mantenham, pois são “fundamentais para a regeneração da paisagem e para que continuem neste território”.

Questionado sobre as medidas anunciadas na quinta-feira pelo Governo para fazer face aos prejuízos decorrentes dos incêndios, o presidente da Câmara de Seia afirmou que, “quando não se declara situação de calamidade e passa a haver uma lei geral, é como quem diz que ‘isto deixou de ser calamidade e passou a ser a rotina'”.

“Portanto, temos de estar preparados para essas circunstâncias que, com certeza vão ocorrer no futuro, mas também temos de ter a capacidade de nos tornarmos mais resilientes e não poder desistir do território, achar que meio Portugal, de quando em vez, é arrasado e já não há nada a fazer”, argumentou.

O primeiro-ministro disse na quinta-feira não ver necessidade de decretar o estado de calamidade por causa dos incêndios, frisando foi aprovada legislação que permite “operacionalizar com muito mais rapidez” os mecanismos de ajuda que seriam disponibilizados nessa situação.

Para Luciano Ribeiro, é importante, “depois destes apoios de emergência que o Governo aprovou, medidas concretas para manter a economia destes territórios e depois que as instituições do Estado não se pendurem sempre nos municípios para resolver todos os problemas que lhes compete”.

O autarca referiu em concreto a Agência Portuguesa do Ambiente e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, no que se diz respeito à estabilização das vertentes e linhas de água.

“Vão ser o problema imediato com as primeiras chuvadas”, avisou, considerando que se continua “sem ter medidas concretas, uma ação e gente preparada para as medidas pós-incêndio e para a estabilização de emergência que, se for como no passado, ocorre dois ou três anos depois do cenário e já depois dos prejuízos serem mais agravados”.

Luciano Ribeiro alertou ainda que, embora haja “apoios para empresas afetadas diretamente pelos incêndios”, não se conhecem apoios para as que têm quebra de atividade significativa, “nomeadamente as empresas do turismo, que viram uma série de cancelamentos devido às notícias do incêndio no Parque Natural” da Serra da Estrela.

O incêndio que afeta o concelho de Seia, no distrito da Guarda, começou no dia 13 no Piódão, em Arganil, distrito de Coimbra.

Ao longo de mais de uma semana este incêndio de grandes dimensões já se estendeu, além de Seia, também ao concelho de Oliveira do Hospital e Pampilhosa da Serra (distrito de Coimbra) e aos concelhos de Castelo Branco, Covilhã e Fundão (distrito de Castelo Branco).

Pelas 23:00 de quinta-feira, o município anunciou no Facebook que “o incêndio encontra-se circunscrito, estando em curso trabalhos de consolidação e rescaldo, bem como vigilância ativa”.

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