Fogos. “Temos de garantir que manto de cinzas não venha a contaminar”

Os autarcas da região das Beiras e Serra da Estrela e de Dão-Lafões afirmaram ontem esperar celeridade na concretização dos projetos de estabilização das encostas ardidas e na proteção das linhas de água das cinzas deixadas pelos fogos.

© D.R.

“É preciso criar já equipas com o ICNF [Instituto de Conservação da Natureza e Florestas] e a APA (Agência Portuguesa do Ambiente] para ir para o terreno, fazer os levantamentos e executar já, não estar à espera que o ICNF autorize ou que licencie”, disse Vítor Proença, presidente da Câmara do Sabugal, à agência Lusa no final da reunião realizada, hoje, em Trancoso, com a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.

O autarca do município raiano do distrito da Guarda, onde arderam cerca de 24 mil hectares em meados deste mês, lembrou que não tarda “temos aí as primeiras chuvas e não pode haver entraves, porque a cinza vai contaminar as linhas de água e criar problemas gravíssimos”.

Amílcar Salvador, autarca de Trancoso, também manifestou a mesma preocupação.

“Temos que garantir que este manto de cinzas que ficou nos nossos concelhos não venha a contaminar a rede de abastecimento pública. É um problema que temos agora em mãos, que nos preocupa muito, bem como a erosão dos solos”, afirmou à agência Lusa.

Na sua opinião, é necessário “agilizar processos, procurar acelerar o mais possível, porque as primeiras chuvas poderão vir em breve”.

No caso de Trancoso, onde arderam quase 49 mil hectares, a situação mais preocupante é a albufeira da Teja, que abastece todo o concelho, e cujas margens arderam totalmente.

Em Aguiar da Beira, também no distrito da Guarda, mas integrante da Comunidade Intermunicipal de Dão-Lafões, é a barragem da Fumadinha que preocupa.

“Todo o seu perímetro foi atingido pelo incêndio e temos que fazer, com urgência, este trabalho para segurar o arrastamento de cinzas que possa vir a ocorrer em direção à barragem”, declarou o presidente da Câmara, Virgílio Cunha.

O autarca aguiarense mostrou-se otimista com as medidas apresentadas pela ministra do Ambiente, constatando que “há interesse em facilitar os processos de intervenção no terreno.

“Ficámos com a convicção que o parecer da APA será muito célere, muito simultâneo com o tempo em que apresentamos o próprio projeto. Acredito que o processo vai ser mais rápido porque abolimos alguma burocracia e a necessidade de alguns pareceres, nomeadamente para aquelas intervenções de menor impacto no terreno”, admitiu.

Menos otimista estava Luciano Ribeiro, presidente da Câmara de Seia, município afetado pelo incêndio que começou no Piódão e atravessou o Parque Natural da Serra da Estrela.

“Pergunte-me depois do Inverno, se valeu ou não a pena esta reunião”, começou por responder à agência Lusa.

O autarca serrano lembrou que esta situação não é novidade para muitos dos autarcas que participaram na reunião, em Trancoso.

“Muitos de nós sabemos o que é preciso fazer e como fazer, fruto do que tem acontecido nos últimos anos, o que pedimos é menos constrangimentos burocráticos — e não me pareceu estar tudo ainda dentro do mesmo diapasão”, assumiu.

Luciano Ribeiro disse esperar que surjam “problemas burocráticos posteriores às intervenções físicas”, adiantando que no seu concelho há diversas linhas de água em risco e zonas muito declivosas.

“Em 2005, tivemos uma experiência devastadora no pós-incêndio, em particular na Ribeira de Alvoco, e portanto há a necessidade de intervir imediatamente nalguns sítios que sabemos que são mais críticos, mais perigosos para as populações, tendo a noção que é impossível salvaguardar todas as linhas de água, de escorrência ou principais. Depois, por aquilo que percebi, logo se vê se temos apoios do Governo”, disse.

O autarca de Seia reiterou que tudo vai depender de “quando chover”, tendo adiantado que o município já está a trabalhar nalgumas intervenções prioritárias.

“Vamos tentar minimizar e mitigar os riscos para as populações e para os seus bens, em particular naquelas zonas de maior prejuízo futuro”, garantiu.

Últimas do País

A GNR deteve um homem de 30 anos em Foz Côa, no distrito da Guarda, por crime cometido na Alemanha, segundo informação divulgada hoje.
A Polícia Judiciária (PJ) deteve hoje dois funcionários de um museu em Lisboa por suspeitas de emissão de bilhetes com desconto ou gratuitos em situações não abrangidas, apropriando-se do valor pago pelos visitantes.
A Polícia Judiciária capturou 65 pessoas procuradas pela justiça estrangeira nos primeiros três meses de 2026, quase metade das detenções realizadas durante todo o ano anterior. O aumento dos mandados internacionais e o reforço da cooperação policial explicam a subida dos números.
A greve de 24 horas dos trabalhadores não docentes, convocada pelo Sindicato Nacional dos Profissionais da Educação (Sinape), fechou esta manhã várias escolas secundárias e básicas nos distritos de Lisboa, Coimbra e Setúbal, constatou a Lusa no local.
O sistema informático do SNS está em baixo desde cerca das 10h00 desta segunda-feira em várias unidades locais de saúde, impedindo os médicos de passar receitas e de aceder aos processos eletrónicos dos doentes, alertou esta segunda-feira a Fnam. A RTP apurou que as falhas estão a registar-se a nível nacional.
Um em cada três concelhos portugueses tem, pelo menos, 10% de residentes de nacionalidade estrangeira. No Algarve, há municípios onde esta população ultrapassa os 40%.
Informações falsas e práticas potencialmente perigosas preocupam os médicos. Ordem exige mais fiscalização para proteger os doentes.
Manuel Pinho foi condenado a oito anos e meio de prisão, mas nunca cumpriu um único dia numa cadeia. O antigo ministro de José Sócrates passou quase cinco anos em prisão domiciliária, na sua quinta, em Braga, antes de recuperar a liberdade.
Sondagem da Intercampus revela que os portugueses não acompanham a decisão antecipada do líder socialista de viabilizar o Orçamento do Estado para 2027.
Mais de 91% das Unidades de Saúde Familiares registaram no último ano três ou mais episódios de indisponibilidade de aplicações informáticas e mais de 82% registaram falhas de material básico, revela um estudo que é esta sexta-feira apresentado.