Lista de espera para cirurgia oncológica aumenta 4,7% e ultrapassa os 7.500 doentes

Os dados da ERS indicam ainda que, ao longo do primeiro semestre de 2025, foram realizadas 37.195 cirurgias oncológicas, 92,6% das quais em unidades de saúde públicas

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Mais de 7.500 pessoas aguardavam uma cirurgia oncológica no final de junho, a grande maioria nos hospitais públicos, que apresentaram um aumento da lista de espera de 4,7%, avançou esta sexta-feira a Entidade Reguladora da Saúde (ERS).

Os dados constam da monitorização aos tempos de espera no Serviço Nacional de Saúde (SNS) no primeiro semestre de 2025, que concluiu que, em 30 de junho, um total de 7.538 utentes aguardavam por uma cirurgia oncológica programada, 7.468 dos quais no setor público.

Quando comparado com igual período de 2024, verificou-se um crescimento de 4,7% no número de utentes que esperavam para serem operados, que se deveu ao aumento da lista de espera nos hospitais públicos e protocolados, adiantou a ERS.

Segundo o regulador, 16,3% dos doentes que aguardavam uma cirurgia no final do primeiro semestre viram os tempos máximos de resposta garantidos (TMRG) ultrapassados, o que correspondeu a uma ligeira redução de 0,4 pontos percentuais em relação a 2024.

Os dados da ERS indicam ainda que, ao longo do primeiro semestre de 2025, foram realizadas 37.195 cirurgias oncológicas, 92,6% das quais em unidades de saúde públicas, um aumento da atividade global de 6,9%.

O relatório, que analisa os dados das cirurgias oncológicas de forma separada das restantes cirurgias, porque têm TMGR específicos, refere que este crescimento da atividade cirúrgica dos hospitais públicos poderá ser justificado pelo regime excecional de incentivos para a redução listas de espera dos utentes com suspeita ou confirmação de cancro, fora dos TMRG.

Do total de utentes submetidos a cirurgias no primeiro semestre de 2025 nos hospitais do SNS, 19,5% foram sujeitos a tempos de espera superiores ao limite legalmente estabelecido para o seu nível de prioridade oncológica.

Em relação às restantes cirurgias – excluindo as oncológicas e cardíacas -, a ERS apurou que em 30 de junho de 2025 havia 200.307 utentes em lista de espera, 192.209 (96%) dos quais aguardavam nos hospitais do setor público, 3.593 (1,8%) em hospitais protocolados e 4.505 (2,2%) em hospitais de destino, que incluem unidades dos setores privado e social com convenção no âmbito do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC).

Em relação ao mesmo período de 2024, registou-se uma diminuição de 2,8% no número total de utentes em espera, justificada pela diminuição da lista de espera nos hospitais públicos (2,5%) e nos hospitais protocolados (22,6%).

Os hospitais protocolados são os que têm contrato com o SNS para a realização de primeiras consultas e que, por isso, são considerados hospitais de origem para os utentes que constam da lista de inscritos para cirurgia, devendo garantir o cumprimento dos TMRG.

Segundo a ERS, nos primeiros seis meses deste ano, foram realizadas 334.339 cirurgias de várias especialidades, das quais 305.717 (91,4%) no SNS, 15.823 (4,7%) em hospitais protocolados e 12.7399 (3,8%) em hospitais de destino, mais 3,6% do que no mesmo período de 2024.

No total, foram cativados [aceites pelo utente e pelo hospital] 18,6% dos 68.780 vales-cirurgia e notas de transferência emitidos pelo SIGIC, menos 8,3 pontos percentuais do que em igual período do ano anterior, o que poderá dever-se à opção dos utentes em permanecer em lista de espera no hospital de origem pela relação de confiança estabelecida, entre outros fatores, refere a ERS.

Do total de utentes operados no primeiro semestre de 2025 nos hospitais público, 13,2% foram sujeitos a tempos de espera superiores ao limite definido para o seu nível prioridade.

Quanto à cardiologia, a ERS indicou que, nos primeiros seis meses de 2025, foram realizadas 4.904 cirurgias programadas, todas no SNS, com 32,7% dos doentes sujeitos a tempos de espera acima do previsto.

A 30 de junho, 2.437 utentes estavam à espera de uma cirurgia de cardiologia, 56,9% dos quais com um tempo superior ao limite legal estabelecido, referiu a entidade reguladora.

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