Escalada da criminalidade paralisa os portugueses

Tiroteios, assaltos, violações e homicídios multiplicam-se nas ruas, transformando o país num cenário que muitos descrevem como “selvagem”. Só nos últimos meses, uma jovem de 16 anos violada em Loures, tiroteios na Amadora e no Cais do Sodré e uma escalada dos homicídios provaram que a sensação de insegurança não é “apenas perceção”: é realidade.

© DR

Portugal enfrenta uma viragem inquietante no terreno da segurança pública. E basta folhear os jornais nacionais para que os casos venham à tona: a 17 de outubro deste ano, um turista norte-americano que veio a Portugal para a despedida de solteiro de um amigo acabou morto durante a noite em Cascais, escreveu o Expresso; em abril também deste ano, uma jovem de 16 anos foi violada por três influenciadores entre 17 e 19 anos, em Loures, tendo o crime sido filmado e divulgado nas redes sociais, segundo o Diário de Notícias (DN); em junho de 2025, ocorreu um tiroteio no bairro Casal do Silva, concelho da Amadora; e passado um mês, registou-se um tiroteio nas imediações do Time Out Market, no Cais do Sodré, em Lisboa.

Estes são apenas quatro dos exemplos que Portugal tem vivido no último ano. Segundo o mais recente Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) 2024, Portugal registou mais de 355 mil participações criminais no ano passado. E entre esses números há linhas de alarme: os crimes violentos e graves cresceram 2,6%, totalizando 14.385 ocorrências.

De acordo com a Rádio Renascença, entre os dados que mais preocupam autoridades e portugueses está o crime de violação, que atingiu em 2024 o número de 543 casos, mais 49 do que em 2023 (494), representando um aumento de cerca de 9,9%.

E quanto aos homicídios? Em 2024 registaram-se 89 casos, e as estatísticas para 2025 já indicam 94 homicídios até meados de outubro, mais do que em todo o ano anterior, apontando para uma tendência de escalada.

Perante este cenário, não surpreende que o mais recente Barómetro da Perceção de Criminalidade e Insegurança, da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e da Pitagórica, revele que “um em cada três portugueses tem receio de ser assaltado ou agredido”.

“O país assiste a um aumento brutal e significativo da criminalidade nos últimos tempos. O país se afunda em bandidagem de norte a sul.”

A verdade é que estes dados erguem um cenário que muitos portugueses já percecionam no dia a dia e que não se limita a estatísticas: é vandalismo, assaltos, medo de sair à rua e sensação de degradação do espaço público.

Para o CHEGA, este panorama não é coincidência, mas o resultado de políticas que “falharam” ou foram “permissivas”. André Ventura, Presidente do partido, afirmou que “o país assiste a um aumento brutal e significativo da criminalidade nos últimos tempos” e que “o país se afunda em bandidagem de norte a sul”. O líder da oposição sublinhou que o primeiro-ministro “não é solução, mas parte do problema da criminalidade em Portugal”, acusando o Governo de falhar ao “não endurecer leis e penas de prisão”.

“Não pode haver penas suspensas nem segundas ou terceiras oportunidades para quem comete crimes graves”, reforçou o líder do segundo maior partido, exigindo um plano de emergência para a segurança, reforço das forças de segurança, controlo mais rigoroso da imigração e legislação mais punitiva.

Últimas do País

As burlas foram responsáveis no ano passado por um prejuízo patrimonial superior a 65 milhões de euros, menos 41% face a 2023, uma diminuição que acompanha o decréscimo das denúncias deste tipo de crime em 2024, revela a PSP.
Recusou abandonar o hospital após alta clínica, intimidou profissionais de saúde e chegou a exigir casa e cirurgia inexistente. O caso arrastou-se durante meio ano no Hospital Amadora-Sintra e só terminou com intervenção policial.
A PSP deteve nos últimos dias no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, três cidadãos estrangeiros procurados internacionalmente por crimes sexuais, fraudes e burlas transnacionais, e captação indevida de depósitos, anunciou esta sexta-feira a força de segurança.
Portugal registou um aumento de infeções respiratórias graves, sobretudo nos maiores de 65 anos, e excesso de mortalidade na região Norte em pessoas de 75 a 84 anos, revelam dados do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA).
Agentes da PSP foram alvo de apedrejamento no Bairro da Cova da Moura, depois de tentarem intercetar uma viatura em fuga. Os suspeitos escaparam, mas deixaram para trás indícios de crime.
Dezenas de repartições de Finanças estão encerradas durante a manhã de hoje, até às 13h, e outras enfrentam constrangimentos no atendimento, enquanto decorre uma reunião ‘online’ de trabalhadores da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) para discutir reivindicações salariais e laborais.
Uma mulher de 60 anos foi constituída arguida pela GNR por utilização indevida de cartão bancário na aquisição de vários bens, num valor superior a 3 mil euros, no concelho do Sabugal.
O segundo dia de greve dos trabalhadores da função pública estava às 09:00 de hoje a ter uma adesão elevada, com 75% na educação e 90% nas cantinas das universidades e politécnicos, disse à Lusa fonte sindical.
Os doentes classificados como urgentes no hospital Amadora-Sintra enfrentaram hoje de manhã tempos de espera que rondava as 12 horas para a primeira observação, segundo dados do portal do SNS.
O desaparecimento de uma bebé no Hospital de Gaia não mostrou apenas uma falha de segurança: revelou um mercado milionário sem escrutínio, contratos feitos à porta fechada e sistemas supostamente infalíveis que afinal podem ser contornados.