Sindicato denuncia atrasos na saída de ambulâncias, alguns superiores a uma hora

O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) revelou hoje atrasos na saída de ambulâncias aos pedidos de socorro da população, sobretudo na Área Metropolitana de Lisboa, alguns superiores a uma hora.

©D.R.

Numa nota enviada à agência Lusa, o STEPH diz ainda que vai apresentar uma denúncia à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) porque o INEM não cumpriu o acordo celebrado relativamente aos protocolos de atuação clínica, incluem a aplicação de alguns fármacos em situações de risco de vida para os cidadãos.

No que se refere aos atrasos, o STEPH fala de “várias dezenas de emergências em espera para o envio de ambulâncias”, uma demora que o sindicato atribui a medidas aplicadas já pela nova administração do INEM que diz terem levado ao “encerramento de ambulâncias, priorizando os postos de atendimento nos CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes)”.

“Não é digno de nenhum país minimamente desenvolvido que uma ocorrência já triada como emergente, tenha de esperar mais de uma hora pelo envio de meios de emergência”, refere o sindicato, considerando esta demora “inadmissível”.

Diz ainda que esta demora surge como resultado de medidas implementadas já no mês de dezembro que levaram ao encerramento de ambulâncias, dando prioridade aos postos de atendimento nos CODU.

Em declarações à Lusa, o presidente do sindicato, Rui Lázaro, disse que a orientação dada pelo atual presidente do INEM “gerou algumas dúvidas”, acrescentando:

“A Área Metropolitana de Lisboa, que é de onde recebemos denúncias de maiores atrasos, é por si só uma zona deficitária de números de ambulâncias”, diz o dirigente sindical, sublinhando que, se esta instrução não for corrigida, “poderá provocar, ainda mais sobretudo nas semanas difíceis que se avizinham, de épocas festivas e de picos de gripe, maiores constrangimentos”.

A agência Lusa teve acesso a e-mail interno da administração do INEM sobre o reforço da resposta operacional e distribuição dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (TEPH)  que indica que a prioridade no instituto nos próximos meses deve ser os CODU.

“Devem prosseguir com a integração operacional dos 26 TEPH formados, conforme proposto, para reforço prioritário dos CODU em dezembro/janeiro”, refere a informação, assinada pelo presidente do INEM, Luis Cabral.

A informação enviada diz ainda que “não devem ser reequacionados os rácios de forma a maximizar a operacionalização das AEM [Ambulâncias de Emergência Médica], pois o foco é o CODU”.

“É necessário fazer o esforço de manter o equilíbrio entre ambulâncias e Centros de Atendimento de Dentes Urgentes, de forma a que não exista, como não tem existido, atraso no atendimento de chamadas, mas sem descurar em demasia, obviamente, os meios de emergência”, acrescenta o presidente do sindicato.

Na nota, o STEPH diz ainda estranhar que “sejam tomadas medidas avulso” que venham contrariar a evolução positiva da resposta de emergência verificada nos últimos meses, sobretudo depois da entrada ao serviço dos 149 TEPH no passado mês de agosto.

Em declarações à Lusa, Rui Lázaro diz que fica igualmente por explicar como é que o presidente do INEM “mantém há três semanas 89 técnicos à espera de homologação para serem contratados da bolsa que ficou do último concurso, que podem ser uma ajuda.

” O curso que realizaram CODU é relativamente célebre e podiam ser já uma ajuda nesta época que começa agora de picos de gripe”, adiantou.

O STEPH diz ainda que, não havendo resposta por parte do governo aos pedidos de esclarecimento feitos relativamente aos protocolos clínicos que ainda não entraram em vigor, estando o INEM “em incumprimento do acordo celebrado por iniciativa do Governo”, o sindicato vai enviar uma denúncia à IGAS e solicitar audiências aos grupos parlamentares  e à Comissão Parlamentar de Saúde.

O STEPH tinha anunciado de manhã que os TEPH não aderir à greve geral agendada para 11 de dezembro, uma paralisação para a qual o INEM já veio dizer que estão definidos serviços mínimos.

Questionado sobre se a greve poderá afetar a  resposta a este nível, Rui Lázaro sublinha que, neste momento, com os dados que o sindicato tem, mesmo sem greve a decorrer, já há atrasos.

“Obviamente que, durante a greve, mesmo cumprindo serviços mínimos, tendo em conta que é expectável que haja menos profissionais a trabalhar nas centrais de emergência, mas também nos meios, possam obviamente ocorrer mais algum constrangimento do que aqueles que já ocorrem no dia a dia”, acrescentou.

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