Contactado pela agência Lusa, Orlando Gonçalves referia-se às declarações, no início deste mês, da ministra do Ambiente, que referiu que o Governo vai apresentar em breve um novo decreto-lei que vai reforçar ainda mais a proteção do lobo-ibérico.
O documento foi preparado com o Ministério da Agricultura, disse a ministra, que falava na apresentação, em Lisboa, do Plano Nacional de Restauro da Natureza (PNRN), um documento que terá de ser entregue a Bruxelas até setembro.
Questionada pelos jornalistas no final da apresentação sobre receios de ambientalistas de que a proteção do lobo ibérico possa vir a ser menor, a ministra negou e disse: “Podem ficar descansados.”
“As últimas notícias sobre a proteção do lobo colocam ao rubro quem vive o pesadelo constante deste tumor maligno da pecuária extensiva, fomentado e protegido pela psicose lupina”, referem os criadores de gado, numa nota enviada à Lusa.
Os agricultores alegam ter ido ao parlamento, em 13 de maio, expor “o drama” que os assola, tendo mesmo convidado os deputados da Comissão Parlamentar de Agricultura e Mar a deslocarem-se ao terreno.
O convite ficou feito para o próximo dia 23, data anual da marcação de garranos na serra de Santa Luzia, em Viana do Castelo.
Orlando Gonçalves disse ter sido convidado o ministro da Agricultura “para que poder constatar ‘in-loco’ os benefícios do lobo para preservação do garrano”.
“O efetivo era de cerca de mil, mas os criadores dizem que este ano talvez não encontrem 300”, sustentou, adiantando que à UPGALL “todas as semanas chegam fotos de animais mortos e estropiados pelo lobo”.
No dia 23, os garranos em regime assilvestrado vão ser marcados, contadas as crias e realizadas outras operações de maneio anual.
“Nos últimos anos trata-se de uma desoladora realidade consubstanciada na acentuada redução dos efetivos pela ação predatória do lobo”, referem os criadores.
Investigadores concluíram que os cavalos garranos podem representar até 80% da dieta do lobo ibérico em algumas zonas do noroeste de Portugal e Espanha, o que coloca pressão sob a espécie autóctone ameaçada.
A espécie funciona como uma “presa tampão, favorecendo a redução da predação sobre espécies de gado economicamente valiosas como vacas, cabras e ovelhas”, observam os autores do estudo, de acordo com o comunicado da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP).
Contudo, os garranos estão sob “pressão crescente”.