Explosão demográfica nas aulas: 31 mil alunos estrangeiros entram num só ano

Só no último ano letivo, chegaram às escolas mais 31 mil alunos estrangeiros, um salto de 22% que está a transformar por completo o mapa demográfico do ensino em Portugal.

© D.R.

Portugal está a transformar-se logo à entrada das salas de aula. O mais recente relatório ‘Estado da Educação 2024’ revela uma mudança demográfica sem precedentes: nunca houve tantos alunos e nunca foram tão diversos. Só no último ano letivo, as escolas receberam mais 31 mil estudantes estrangeiros, um aumento de 22% que está a redesenhar profundamente o panorama educativo nacional.

Segundo a agência Lusa, o Conselho Nacional de Educação (CNE) indicou que 174.126 crianças e jovens de nacionalidade estrangeira frequentaram o ensino obrigatório em 2023/2024, o equivalente a 13,6% dos alunos da educação básica e secundária. Também na educação pré-escolar o fenómeno ganha expressão: quase 10% das crianças são provenientes do estrangeiro.

A tendência, sublinha o relatório, espelha uma “alteração profunda do tecido social do país”, com escolas que hoje reúnem dezenas de nacionalidades, línguas e contextos culturais distintos. O Ministério da Educação admite que o sistema está perante um novo paradigma: mais alunos, maior diversidade e realidades muito diferentes a cruzarem-se diariamente nas mesmas carteiras.

O CNE destaca que esta pluralidade — trazida sobretudo por famílias estrangeiras que se fixam em Portugal — constitui “uma oportunidade de enriquecimento educativo e cultural”, embora coloque desafios consideráveis. A disciplina de Português Língua Não Materna, por exemplo, continua longe de dar resposta ao número crescente de estudantes que chegam ao sistema sem domínio da língua.

Apesar dos constrangimentos logísticos e pedagógicos, o conselho lembra que o país enfrenta uma “viragem demográfica” que coloca as escolas no centro do processo de integração social. O aumento global de alunos, nacionais e estrangeiros, é visto como um sinal positivo para um sistema que, durante anos, sofreu quebras acentuadas devido ao declínio da natalidade.

Para já, o relatório deixa uma certeza: as salas de aula nunca estiveram tão cheias — nem tão multiculturais. E, quer se queira quer não, é desta nova composição humana que nascerá a próxima geração de Portugal.

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