Número de pacientes oncológicos operados aumentou 67% em cinco anos

O número de doentes tratados por doença oncológica aumentou 67% em cinco anos, mas um em cada quatro ainda foram operados acima do tempo máximo de resposta em 2024, indicam dados da Direção-Geral da Saúde (DGS).

© facebook/ipolisboa

Segundo os dados divulgados hoje, entre 2020 e 2024 o aumento de pacientes oncológicos equivale a mais 31.178 cirurgias, sendo que, entre 2023 e 2024 – ano do programa de redução de listas de espera para cirurgia oncológica OncoStop -, o aumento foi de quase 10.000 pacientes vítimas (9.441).

Relativamente ao número de pacientes oncológicos acima do Tempo Máximo de Resposta Garantida (TMRG), em 2024, foram mais de 20.000 (25,4%).

Nos dados divulgados hoje, quando se assinala o Dia Mundial de Luta Contra o Cancro, a DGS refere que o número de doentes tratados com quimioterapia e imunoterapia tem vindo a aumentar gradual e lentamente nos últimos anos, sendo quase na totalidade em regime ambulatório. Em 2024 foram tratados mais de 400.000 pacientes, um número que reflete um aumento de 10% dos pacientes que receberam radioterapia e quimioterapia/inunoterapia.

Houve também um aumento do número de pacientes com acesso a tratamentos inovadores, nomeadamente com terapias com células CAR-T.

Os dados da DGS indicam uma redução – entre 2019 e 2023 – do risco de morte por tumores malignos abaixo dos 75 anos, uma variação que as autoridades veem como consequência de uma melhoria na prevenção, associada a melhorias nos programas de rastreio do cancro, com diagnósticos mais precoces e progressos na efetividade dos tratamentos.

Em declarações à Lusa, a diretora do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas, Isabel Fernandes, sublinhou como positiva a sobrevivência de cancro de mama e de próstata aos cinco anos, com valores superiores a 90% a 96%, respetivamente.

“Temos uma taxa de mortalidade padronizada para tumores malignos que continua a descer. Eu percebo que há um aumento do número de óbitos, mas a taxa padronizada continua a descer, o que é bom”, disse a responsável, sublinhando igualmente a redução da taxa de mortalidade do cancro do cólon e reto e do estômago.

“Aqui, na minha perspectiva, deve-se ao acesso à medicação, porque tivemos mais de 10% de acesso à rádio e ao tratamento de quimio e imunoterapia. E o estômago, com a imunoterapia, teve aqui provavelmente um aumento uma diminuição da taxa de mortalidade”, acrescentou.

Entre os aspectos positivos, salientou ainda “a incidência mais baixa de cancro de mama a nível europeu”, lembrando: “Nada disto seria possível se não houvesse um sistema que o permitisse”.

Relativamente à sobrevivência a 5 anos após o diagnóstico de doença oncológica, Portugal apresenta resultados acima da média europeia, com cerca de 240 óbitos por 100.000 habitantes, face a aproximadamente 250 óbitos por 100.000 habitantes na União Europeia.

Os dados mostram ainda que a sobrevivência para todos os cancros nos homens é significativamente inferior às mulheres.

Em Portugal, as doenças oncológicas são uma das principais causas de anos potenciais de vida perdida, sobretudo como neoplasias malignas da traqueia, brônquios e pulmões e digestivas.

Segundo os dados da DGS, as principais doenças oncológicas são responsáveis ​​por 47.381 anos potenciais de vida perdidas, o que equivale a quase o dobro do total do conjunto das doenças cerebrovasculares e doenças isquémicas do coração (28.357).

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