Várias áreas inundadas na cidade e zonas rurais de Leiria

Várias zonas estão esta quinta-feira inundadas na cidade e zonas rurais de Leiria, e o foco "está nas cheias" depois de o concelho ter sido gravemente afetado pela depressão Kristin, revelou o vereador Luís Lopes.

© D.R.

“Temos já várias zonas inundadas, quer na cidade, quer nas zonas mais rurais”, declarou aos jornalistas Luís Lopes, nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde está o centro de operações do município.

Segundo o vereador que tem o pelouro da Proteção Civil, esta quinta-feira de manhã foi antecipada “a necessidade de evacuações preventivas nalguns locais”.

“Fizemos o pré-posicionamento dos botes dos Fuzileiros aqui em Leiria e vamos também fazer aqui neste mesmo quartel, para termos mais disponibilidade caso seja necessário”, disse, adiantando que decorre, igualmente, o reforço do corte de vias em vários locais.

Estes cortes estão “todos associados ao rio Lis e ao rio Lena [este afluente do primeiro], o que se irá manter durante o dia”, porque a previsão é a de que “os caudais só irão começar a reduzir a partir, provavelmente, das 16h00, 18h00”.

Na cidade de Leiria, os locais que registam inundação são a zona da Escola Profissional de Leiria, onde “todo o estacionamento está alagado, que era algo que já era previsível”.

Acresce a zona do Centro Nacional de Lançamentos e do Jardim da Almuinha Grande, a que se somam “grande parte dos campos de Lis que já estão muito condicionados”, e a zona da Ponte das Mestras, na Barosa.

Segundo o autarca, “a noite foi, essencialmente, com muita precipitação, nomeadamente entre as 3h00 e as 5h00, e com muito vento”, tendo sido registadas inundações em caves e garagens, e, novamente, “algumas quedas de estruturas e árvores que, depois dos últimos dias, já era expectável que acontecesse”, dada a instabilidade e a saturação dos solos.

Na quarta-feira à noite, “algumas pessoas já foram retiradas” de casa.

“Pedimos para que não ficassem naqueles espaços, evitando, assim, a evacuação”, referiu, adiantando que o foco das autoridades está nas cheias.

“O nosso foco neste momento está nas cheias. Portanto, apesar de termos um grande efetivo pelo concelho todo, ainda em retiradas de estruturas que, novamente, esta noite caíram, vamos manter o abastecimento de água às populações, que também é crítico, e vamos focar-nos na ocorrência de cheias, para minimizar o impacto das mesmas, sendo certo que é expectável que os caudais só comecem a reduzir a partir das 16h00”, mas até lá Leiria vai “ter muitas zonas alagadas ainda”, alertou.

Aos munícipes, pediu que parem de “arredar as grades e tirar as fitas [de sinalização]”, porque só estão a colocar-se a elas mesmas em risco”, e estão a desviar da Proteção Civil “recursos que são muito importantes para tudo o resto” que tem de ser feito.

Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também algumas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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