Mau tempo: Candidaturas a linha de crédito à tesouraria somam 905 milhões

As 4.310 candidaturas das empresas à linha de crédito à tesouraria criada na sequência do mau tempo somam cerca de 905 milhões de euros, para um montante de mil milhões de euros, anunciou hoje a Estrutura de Missão.

© CMO

“Relativamente à parte das empresas, os dados mais recentes apontam que na linha de crédito, que passou de 500 milhões para 1.000 milhões [de euros], temos mais de 4.300” candidaturas com um montante de 905 milhões de euros, afirmou, em Leiria, o coordenador da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País, Paulo Fernandes.

Já na linha de crédito ao investimento (mil milhões de euros no total) existem atualmente 106 candidaturas com valor global de 55.075.027 euros.

Aos jornalistas, num ponto de situação sobre os prejuízos registados na sequência do mau tempo, que começou em 28 de janeiro, com a depressão Kristin, este responsável, referindo-se ao ‘lay-off’ (suspensão dos contratos de trabalho), anunciou que há “117 pedidos, relativamente a 91 empresas ou grupos empresariais, apontando para 867 trabalhadores no seu universo”.

“Por isso, estamos aqui a falar de empresas também, muitas delas pequenas, e desses pedidos já 24 foram despachados e aprovados”, declarou Paulo Fernandes.

Para os apoios agrícolas e florestais, dados da Estrutura de Missão indicam que há 5.591 candidaturas num montante de praticamente 369 milhões de euros, sendo que da Região Centro são 2.062 candidaturas no valor de 163 milhões de euros.

Paulo Fernandes esclareceu, por outro lado, que a Estrutura de Missão tem “recebido dezenas de doadores e centenas de pequenos doadores, quer a nível de materiais, de equipamentos, de víveres, quer também em termos financeiros”.

O coordenador explicou que para receber as doações se optou por não criar uma conta solidária, mas antes uma iniciativa de financiamento colaborativo, pelo que, na próxima semana, estará disponível na Internet uma plataforma com projetos.

O objetivo passa por financiar projetos de impacto nascidos na comunidade, com angariação de grandes investidores, doadores e mecenas, sendo que o objetivo é “angariar 10 milhões de euros na primeira ronda”.

“Vamos fazer uma primeira ronda de projetos para colocar nessa plataforma”, declarou, referindo que se trata de projetos que tenham impacto na vida cívica, cultural, educativa ou desportiva, de inovação social ou de apoio a pessoas vulneráveis, e podem partir das mais diversas entidades.

A iniciativa passa por grandes e pequenos investidores poderem apoiar projetos específicos.

“Vai também permitir ao cidadão anónimo poder contribuir”, declarou.

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou em 15 de fevereiro.

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