Hospital deixa compressas esquecidas após partos em duas mulheres

O Hospital São Francisco Xavier deixou esquecidas compressas vaginais após o parto em duas mulheres, o que levou o regulador a alertar para a necessidade de ser garantido o direito dos utentes a receber cuidados mais corretos.

© D.R.

A primeira reclamação à Entidade Reguladora da Saúde (ERS) foi feita em 24 de fevereiro de 2025 e a segunda em 12 de maio do mesmo ano, queixas que motivaram a abertura de um processo de inquérito, cujas conclusões foram hoje conhecidas.

Num dos casos, a compressa esquecida foi detetada pela própria utente seis dias depois de ter recebido a alta hospitalar, enquanto no segundo decorreram 26 dias desde o parto, adiantou a ERS na deliberação hoje divulgada.

“É certo que a verificação de duas situações idênticas, num tão curto espaço temporal (dois meses), evidencia uma fragilidade significativa nos protocolos assistenciais então implementados na Unidade Local de Saúde Lisboa Ocidental (ULSLO), comprometendo a efetiva salvaguarda da qualidade e segurança dos cuidados de saúde prestados”, concluiu a ERS.

Na resposta ao regulador sobre estes casos, o hospital informou ter implementado medidas corretivas para evitar situações semelhantes, através da elaboração de “medidas de prevenção e controlo de retenção de materiais clínicos no canal de parto”, destinadas às equipas médicas e de enfermagem que integram o serviço de urgência obstétrica e ginecológica e bloco de partos.

Apesar disso, a ERS emitiu uma instrução à ULSLO para que garanta que são “respeitados os direitos e interesses legítimos dos utentes, em especial o direito aos cuidados mais adequados e tecnicamente mais corretos, seguindo as boas práticas de qualidade e segurança em saúde”.

Além disso, o hospital deve assegurar que todos os instrumentos e ou compressas utilizados no decurso de qualquer intervenção são devidamente contados e registados no processo clínico dos utentes e corretamente removidos previamente à sua alta, adiantou.

A ERS emitiu ainda uma instrução à Unidade Local de Saúde Santa Maria, na sequência do caso de uma utente que deu entrada nas urgências em 03 de abril de 2024 com suspeitas de um AVC e que só teve a primeira observação médica cerca de sete horas após a triagem.

Segundo a entidade reguladora, a utente foi triada às 14:21 com pulseira amarela (urgente) e só “pelas 21:33 teve a primeira observação médica”, altura em que foi ativada a Via Verde AVC, quando o tempo de atendimento estipulado para situações urgentes é de 60 minutos.

“Refira-se que a utente não se encontrava monitorizada por qualquer profissional, nem tampouco foi sujeita a retriagem, o que de resto era a atuação obrigatória após ultrapassado o tempo alvo para observação clínica (60 minutos)”, salientou a ERS.

A ULS Santa Maria referiu que, no dia em causa, verificou-se um “elevado número de doentes” – 384 – que recorreram ao serviço de urgência, que fez com que o tempo de observação não fosse o expectável, e assegurou que o “timing´ de observação [da utente] não alterava a abordagem efetuada”.

Na sequência deste caso, a ERS emitiu uma instrução à ULS Santa Maria para que garanta também que, entre outras medidas, “sejam respeitados os direitos e interesses legítimos dos utentes, nomeadamente, o direito aos cuidados adequados e tecnicamente mais corretos, que devem ser prestados humanamente e com respeito pelo utente”.

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