Prepare a carteira: preço dos combustíveis vai continuar a subir na próxima semana

Os preços dos combustíveis em Portugal vão continuar a subir na próxima semana, com o gasóleo simples a aumentar cerca de 10 cêntimos por litro e a gasolina 95 a subir 10,3 cêntimos, segundo a ANAREC.

© D.R.

Este aumento acontece num contexto de forte tensão geopolítica no Médio Oriente, com os preços do petróleo pressionados pelo encerramento do estreito de Ormuz e pela volatilidade dos mercados internacionais.

Com base nos valores atuais da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e nos aumentos divulgados à Lusa pela Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis ANAREC tendo em conta os valores da abertura do mercado, a partir de segunda-feira, o preço médio da gasolina simples 95 deverá situar-se nos 1,883 euros por litro, enquanto o gasóleo simples poderá atingir os 1,937 euros por litro.

A média final só ficará fechada ao final do dia, podendo ainda registar alterações em função da evolução das cotações internacionais do petróleo, e o custo final na bomba poderá variar conforme o posto de abastecimento, a marca e a localização.

Esta semana o gasóleo simples já tinha subido cerca de 19 cêntimos por litro – já com o mecanismo de desconto aplicado pelo Governo – e a gasolina sete cêntimos.

O novo aumento ocorre após o fecho do petróleo de quinta-feira em Londres, com o barril de Brent para entrega em maio a subir mais de 9% para 100,46 dólares, o valor mais alto desde 2022, impulsionado pelas declarações do Irão sobre o encerramento do estreito de Ormuz. O preço fechou 9,22% acima do do dia anterior, quando o Brent registou 91,98 dólares.

O novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, anunciou que o bloqueio de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do comércio marítimo de hidrocarbonetos, deverá ser prolongado.

Em resposta, os 32 países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) decidiram libertar 400 milhões de barris das reservas estratégicas para compensar a perda de abastecimento devido ao encerramento do estreito. Esta é a sexta vez que a AIE coordena a liberação de reservas estratégicas, sendo a quantidade libertada mais do dobro da intervenção recorde durante o início da guerra na Ucrânia.

No plano interno, o Governo anunciou que manterá o mecanismo de descontos nos combustíveis caso os aumentos na próxima semana ultrapassem os 10 cêntimos por litro. O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, afirmou no final do Conselho de Ministros que o regime definido permanece em aplicação e garante que “o Estado não fica a ganhar à conta dos consumidores”.

Na sexta-feira passada, o executivo avançou com a implementação de uma “redução temporária e extraordinária” de 3,55 cêntimos por litro no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) aplicável ao gasóleo rodoviário no continente, medida anunciada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, para compensar eventuais aumentos superiores a 10 cêntimos.

O ministro Leitão Amaro sublinhou ainda que a continuidade do mecanismo visa dar previsibilidade aos consumidores e evitar medidas que apenas beneficiem operadores, reforçando que “existe um mecanismo de devolução para garantir que o Estado não fique a ganhar à conta dos contribuintes porque os preços aumentam”.

“Portanto devolvemos os impostos a mais através de um desconto no imposto sobre os combustíveis, a partir do momento em que o aumento ultrapassou ou ultrapassar os 10 cêntimos no preço por litro”, precisou.

A guerra foi desencadeada pela ofensiva de grande escala lançada contra o Irão pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro.

O Irão respondeu com ataques contra os países vizinhos e contra petroleiros no estreito de Ormuz.

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