Utentes da Fertagus apresentaram queixa contra o Estado à Comissão Europeia

A Comissão Utentes Fertagus enviou na quinta-feira, 12 de março, à Comissão Europeia uma queixa contra o Estado português por permitir que os passageiros sejam diariamente transportados em condições “fora do padrão europeu” e “com riscos de segurança”.

© facebook.com/ComboioFertagus

Em declarações à agência Lusa após apresentação pública em Lisboa do teor da queixa, o porta-voz da direção da Comissão de Utentes, Aristides Teixeira, disse que o serviço prestado pela Fertagus, linha ferroviária que liga as duas margens do Tejo pela Ponte 25 de Abril, entre Lisboa e Setúbal, é um atentado à saúde pública, à integridade e à segurança dos passageiros.

“Enviámos na quinta-feira uma queixa à Comissão Europeia, subcomissão de Transportes, contra o Estado português, que tutela a Fertagus, devido às condições indignas em que milhares de pessoas são transportadas entre as duas margens e pedimos que intervenham junto do Governo para que a situação se altere”, disse.

Na queixa, segundo Aristides Teixeira, a Comissão de Utentes dá conta de que a situação se agravou desde 2025, diariamente com atrasos na circulação de comboios em velocidade muito reduzida e avarias.

“As pessoas aglomeram-se nos cais, empurram-se, agridem-se verbal e fisicamente. Todas querem entrar nas carruagens esmagadas, crianças inclusive, a respirar umas em cima de outras. Nesta atmosfera asfixiante, há sempre alguma pessoa a precisar de ser socorrido e o comboio tem de parar na estação seguinte e esperar por socorro”, relatou.

Segundo o porta-voz da Comissão, o Governo tem conhecimento da situação, mas nada melhora.

“Quando nós falamos do nazismo, a imagem que nos vem à cabeça é dos campos de concentração. Hoje falar da Fertagus, a imagem que vem à cabeça é a de milhares pessoas a asfixiarem dentro das carruagens esta é a verdade pura e dura”, salientou.

Aristides Teixeira contou ainda que já há pessoas a usar os carros, fazendo um esforço financeiro, um ou dois dias por semana, só para não ter de sujeitar-se a viajar indignamente nos comboios da Fertagus.

O porta-voz da Comissão salientou ainda que a queixa enviada à Comissão Europeia é um apelo para que intervenha junto do Estado português para que sejam tomadas “medidas urgentes para pôr fim a esta situação que envergonha Portugal à luz da Europa civilizada”.

“Esperamos que, ao ter conhecimento desta forma dramática como são transportadas, a Comissão peça esclarecimentos ao Governo sobre esta matéria. É uma forma de pressionar. Será um processo lento, mas que seja um caminho a médio prazo para que as pessoas comecem a ser transportadas com o mínimo das dignidades da pior operadora ferroviária que existe em Portugal”, disse.

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