A Europa está a entrar num terreno gravíssimo. Sob a capa moral da proteção das crianças contra o abuso sexual online, muitos querem impor uma lógica de vigilância em massa sobre as comunicações privadas.
Não nos enganemos: isto não é apenas uma má solução. É uma perversão política. É usar uma causa justa e sensível para legitimar um ataque frontal à liberdade, à privacidade e à presunção de inocência.
Em Estrasburgo, fomos inequívocos: a proteção das crianças é uma prioridade absoluta, mas nunca servirá de pretexto para transformar milhões de europeus em suspeitos permanentes.
Por isso apresentámos duas emendas para travar esta deriva autoritária. Nenhum eurodeputado português nos apoiou. Nenhum. Não houve coragem, não houve coluna vertebral, não houve sentido de responsabilidade. Houve silêncio. E, neste caso, o silêncio é cumplicidade.
Estamos sozinhos? Talvez. Mas há momentos em que ficar sozinho é preferível a alinhar com o erro. E nesta batalha não cederemos um milímetro. Porque uma Europa que decide vigiar tudo já começou a perder tudo.