Em Paris, na semana passada, a mulher que ajudou a destruir a energia europeia subiu ao palco e confessou que a Europa cometeu um erro. Não disse o seu nome. Mas devia.
Ursula von der Leyen esteve em Berlim quando a Alemanha fechou todas as centrais nucleares depois de Fukushima. Aplaudiu. Assinou. Fez parte disso até ao fim. E foi a Paris falar de erro estratégico sem assumir que ela própria é o maior deles.
Durante anos construiu uma Europa rendida aos lobistas das renováveis, com o Green Deal como desculpa e a destruição industrial como resultado. A dependência energética que daí resultou foi uma escolha deliberada. E quando o Irão fechou o Estreito de Ormuz e o barril disparou, essa escolha apareceu no preço do pão, da gasolina, da electricidade. Apareceu em todo o lado menos no bolso dela. Afinal, quem é esta mulher?
É a mesma que forçou agricultores europeus a abandonar terras cultivadas há gerações em nome de metas climáticas. É quem presidiu ao maior empobrecimento industrial da Europa, exportando fábricas e empregos para a China enquanto subsidiava moinhos de vento com o dinheiro dos contribuintes. É quem ignorou os avisos dos que disseram, anos antes, que fechar centrais nucleares sem alternativa real era uma sentença. É quem, durante a crise energética de 2022, viu os europeus a pagar facturas impossíveis e não recuou um milímetro na agenda que as causou.
É quem fechou nos bastidores o seu próprio segundo mandato, comprando apoios, distribuindo lugares, sem perguntar nada a ninguém. E nunca foi eleita. Chegou onde chegou por acordos obscuros entre elites fechadas sobre si próprias, que nunca respondem perante ninguém.
António Costa é o mesmo espelho partido. Saiu de Lisboa envolto em escândalo, sem explicações, sem consequências e aterrou na presidência do Conselho Europeu. Foi colocado, não eleito. Protegido pela mesma teia de interesses que protege todos os irresponsáveis. Não foram os cidadãos que os puseram lá. Mas são os cidadãos quem lhes pagam os salários principescos. E enquanto ficarem calados, continuarão a pagar.
Esta gente não muda. Nunca mudou. Nunca pagou. Nunca pagará.
Até quando?
Portugal, desperta.