Dia do Pai: Celebração ou mera Sobrevivência?

Dia 19 de março de 2026, é Dia do Pai.

Um dia que se deve celebrar todos os dias do ano: Alguém que acorda de madrugada, que enfrenta o trânsito infernal, que trabalha horas sem fim e que, ao chegar a casa, ainda encontra energia para acarretar o peso do equilíbrio familiar. Mas que celebração amarga é esta quando o básico se torna um luxo?

Esta semana, o Cabaz Alimentar Essencial monitorizado pela DECO – 63 produtos indispensáveis para uma família de quatro pessoas não passar fome – atingiu o valor recorde absoluto: 254,32 euros. Um aumento brutal. Desde o início de 2022, o cabaz já subiu mais de 66 euros, cerca de 35%. Leite, pão, arroz, carne, peixe, ovos, legumes, fruta… tudo disparou. Comparado com o mesmo período do ano passado, são mais 12 euros. Nenhuma família média aguenta este esforço sem cortes drásticos: adiar consultas médicas, reduzir atividades extracurriculares dos filhos, eliminar qualquer tipo de lazer. O pai que traz o ordenado para casa já não chega; traz também a angústia de ver o dinheiro evaporar antes do fim do mês.

E a inflação não poupa o transporte. Os combustíveis estão novamente em patamares altíssimos. Gasóleo ronda os 1,92 €/litro e gasolina os 1,85 €/litro, valores que ecoam os picos de 2022. A ironia?

O petróleo bruto foi adquirido há meses a preços bem mais baixos. Refinarias e distribuidoras aplicam margens confortáveis, enquanto o Estado mantém IVA e ISP elevadíssimos – impostos que funcionam como uma taxa fixa sobre a mobilidade das famílias. O litro sobe na bomba, o salário estagna, o poder de compra cada vez é menor. Quem vive longe do emprego ou tem filhos em atividades extracurriculares sente o aperto duplicado.

Esta é a dicotomia cruel de Portugal em 2026: num dia dedicado aos pais, o cabaz alimentar bate máximos históricos e os combustíveis castigam quem precisa de se deslocar. Celebramos a paternidade com o estômago apertado e o depósito vazio. Enquanto isso, o Estado regista receitas fiscais recorde. A despesa pública aumenta, a burocracia multiplica-se, os impostos indiretos devoram o rendimento disponível. O dinheiro sai das carteiras das famílias – suado, sacrificado – e vai engordar uma “barriga estatal” insaciável.

Até quando os portugueses vão suportar este esforço contínuo? Até quando vamos aceitar que o trabalho árduo de uma vida, sirva apenas para financiar um sistema que promete proteção social, mas entrega cada vez menos segurança económica? Os pais de hoje veem os filhos crescerem num país onde o futuro parece mais caro do que o presente.

No Dia do Pai, o presente mais valioso não é um jantar fora ou um presente caro – que ninguém consegue pagar. É a coragem coletiva de dizer: basta. Chega de roubo legalizado ao nosso suor e ao nosso futuro. Chega de sacrificar a dignidade das famílias para sustentar um Estado voraz.

Porque um pai que não consegue pôr comida na mesa ou levar os filhos à escola não é celebrado: é triturado.

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