Estado ocultou riscos das vacinas contra a covid-19

A atuação do Estado português durante a pandemia de covid-19 está novamente sob escrutínio, após a divulgação de contratos assinados com farmacêuticas que reconhecem incertezas quanto à segurança e eficácia das vacinas no momento da sua aquisição.

© D.R.

De acordo com documentos agora tornados públicos, Portugal celebrou pelo menos 17 contratos entre 2020 e 2022 com empresas como AstraZeneca, BioNTech, Pfizer, Moderna, GlaxoSmithKline, Novavax e Sanofi. Em vários desses acordos é assumido, de forma explícita, que os efeitos a longo prazo e a eficácia das vacinas não eram totalmente conhecidos à data.

Num dos contratos com o consórcio BioNTech/Pfizer, pode ler-se que “os efeitos a longo prazo e a eficácia da vacina não são atualmente conhecidos”, sendo ainda admitida a possibilidade de efeitos adversos desconhecidos. Em caso de danos comprovados, a responsabilidade por eventuais indemnizações ficaria a cargo do Estado português.

Apesar destas reservas contratuais, o discurso público das autoridades foi marcado por garantias de segurança. A então ministra da Saúde, Marta Temido, afirmou repetidamente que as vacinas eram seguras e eficazes, incentivando a adesão da população. A mesma linha foi seguida pela então diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, que reforçou a confiança nas vacinas, incluindo na sua administração a crianças.

Entretanto, em julho de 2021, o comité de segurança da Agência Europeia do Medicamento identificou uma possível associação entre vacinas de mRNA e casos raros de miocardite e pericardite, levando à atualização das bulas.

Dados do Infarmed indicam que, até ao final de 2022, foram registadas mais de 39 mil notificações de reações adversas em Portugal, num universo de cerca de 28 milhões de doses administradas. Destas, mais de 8.500 foram classificadas como graves, incluindo 142 mortes suspeitas. Ainda assim, as autoridades sublinham que estas notificações não estabelecem, por si só, uma relação causal com a vacinação.

O tema voltou ao debate político, com uma petição subscrita por profissionais de saúde a defender a criação de mecanismos de indemnização para eventuais vítimas, conforme previsto nos contratos assinados pelo Estado. O assunto deverá ser analisado na Assembleia da República, com pedidos de esclarecimento já anunciados à Direção-Geral da Saúde e ao Infarmed.

Especialistas alertam, contudo, que a avaliação de reações adversas exige investigação aprofundada no âmbito da farmacovigilância, sendo essencial distinguir entre coincidência temporal e causalidade direta.

Últimas do País

Um homem de 34 anos suspeito de vários assaltos a postos de abastecimento de combustível, e outros estabelecimentos comerciais ocorridos nos últimos meses em Aveiro, vai aguardar o desenrolar do processo em prisão preventiva, informou hoje a PSP.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) deteve na quinta-feira, no Aeroporto de Lisboa, uma mulher procurada pelas autoridades da Dinamarca, país de onde fugiu acompanhada por um filho menor, à guarda do progenitor, foi hoje divulgado.
O homem de 49 anos que tinha sido detido este mês por suspeita de atear vários incêndios florestais em Águeda, no distrito de Aveiro, voltou a ser detido pelo mesmo crime, informou hoje a Polícia Judiciária (PJ).
A Polícia de Segurança Pública (PSP) deteve em Lisboa um cidadão estrangeiro, de 32 anos, procurado pelas autoridades brasileiras por um crime de tráfico de droga, foi hoje divulgado.
A GNR contabilizou hoje de manhã 380 camiões na marcha lenta organizada por empresários do setor das terraplanagens e realçou que o protesto decorreu sem incidentes.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) registou um total de 99 acidentes nas estradas da Região Autónoma da Madeira na última semana, que fizeram 29 feridos, quatro dos quais graves, e uma vítima mortal.
Luísa Ribeiro integra uma das equipas candidatas à liderança da televisão pública, mas mantém um processo contra o Estado e a Presidência do Conselho de Ministros, precisamente a área governativa que tutela a RTP. Caso estará relacionado com a sua saída da administração da AIMA.
O Ministério Público (MP) acusou de homicídio qualificado um homem de 51 anos que, em dezembro de 2025, matou a golpes de enxada uma vizinha de 71 anos em Adaúfe, Braga, por causa de uma dívida de 35 euros.
O Presidente da Junta de São Marcos da Serra é acusado de ter feito uma denuncia falsa à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens depois de estes o terem enfrentado. Questionado pela Sábado sobre se ainda tem condições para continuar, Márcio Coelho responde: "Obviamente".
O presidente do CHEGA, André Ventura, lamentou hoje a morte de uma bombeira de 24 anos que combatia um incêndio florestal em Resende e destacou a sua "coragem, dedicação e sacrifício".