Abril pode ser pior do que março para o setor da energia, alerta o chefe da Agência Internacional de Energia

O mês de abril “deverá ser ainda pior do que março” para o setor da energia, mesmo que a guerra no Irão encontre rapidamente uma conclusão, alertou hoje o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol.

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O mês de abril “deverá ser ainda pior do que março” para o setor da energia, mesmo que a guerra no Irão encontre rapidamente uma conclusão, alertou hoje o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol.

Enquanto alguns navios conseguiram em março entregar a sua carga que tinha sido “carregada antes do início da crise (…) Nada pôde ser carregado” este mês no Golfo, declarou Birol numa conferência de imprensa.

O responsável da AIE falava na sequência de um encontro com a diretora geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e o presidente do Banco Mundial (BM), Ajay Banga, para coordenar a sua resposta face ao impacto da guerra no Irão sobre a economia mundial.

“Trata-se da mais importante crise energética da história. E ela diz respeito ao petróleo e ao gás natural, mas também a outros produtos básicos essenciais, como os fertilizantes, os produtos petroquímicos ou ainda o hélio”, referiu o diretor da AIE.

Face a esta situação, as três organizações internacionais, que hoje se reuniram querem “partilhar [as suas] capacidades de avaliação para acompanhar não apenas a crise, mas também como os países estão a responder”, salientou por seu lado Kristalina Georgieva.

Nesse sentido, o Fundo e o Banco recordaram estar em condições de desembolsar cada um, no mínimo, 20 mil milhões de dólares para ajudar os países mais afetados.

“Se a crise continuar, iremos redirecionar outros projetos, o que nos permitiria disponibilizar, nos próximos seis meses, um total de 50 a 60 mil milhões de dólares”, assegurou por sua vez Ajay Banga, relativamente às capacidades de financiamento do BM.

Ainda mais considerando que a crise deverá persistir mesmo após o conflito terminar, devido aos “danos nas infraestruturas” petrolíferas e gasistas dos países do Golfo, avisou Georgieva.

Segundo a AIE, mais de um terço das infraestruturas energéticas dos países do Golfo foram gravemente danificadas durante o conflito iniciado em 28 de fevereiro pela ofensiva dos Estados Unidos e de Israel sobre o Irão, à qual Teerão respondeu, nomeadamente, bloqueando o estreito de Ormuz.

No entanto, Fatih Birol mostrou-se otimista, lembrando que mais de 80% das reservas estratégicas mundiais ainda estavam disponíveis.

Este responsável também apelou aos países para “não imporem restrições às exportações” e agir como “membros responsáveis da comunidade internacional”.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou o bloqueio do estreito de Ormuz, após negociações de paz falhadas com o Irão, em Islamabade, no Paquistão e ameaçou hoje “eliminar imediatamente” qualquer navio iraniano que ignore o bloqueio das forças armadas norte-americanas naquela estratégica via marítima, por onde passa um quinto da produção de petróleo.

“Aviso: Se algum destes navios se aproximar minimamente do nosso bloqueio, será imediatamente eliminado, utilizando o mesmo sistema de neutralização que empregamos contra os traficantes de droga em embarcações em alto mar. É rápido e brutal”, afirmou, o Presidente dos Estados Unidos numa mensagem publicada na sua rede social.

A cotação do barril Brent para entrega em junho terminou hoje no mercado de futuros de Londres em alta de 4,36%, a roçar cem dólares (99,36), pelo aumento do receio de agravamento da situação no Estrito de Ormuz.

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