Ventura estranha ónus de acordo sobre reforma laboral no CHEGA

O líder do CHEGA, André Ventura, considerou hoje que o Governo está a pôr sobre o partido o ónus de um acordo sobre a reforma laboral no parlamento, apesar de não ter dado "nenhum passo" de aproximação.

© Folha Nacional

“Parece-nos muito estranho que, na véspera da decisão da UGT e da CGTP, mas sobretudo da UGT sobre se vai haver acordo ou não em matéria de concertação social que o Governo já esteja a pôr o ónus em cima do CHEGA, no fundo a dizer que o Chega é que vai ter que ser o parceiro de negociação”, disse André Ventura durante uma conferência de imprensa do grupo Patriotas pela Europa, no Porto.

Ventura questionou como é que o executivo de Luís Montenegro quer negociar com um partido, nomeadamente com o CHEGA, sem dizer formalmente o que é que está em cima da mesa, o que é que está a pensar fazer, qual é que é a proposta que quer apresentar e o que é que vai mudar na lei laboral.

“Isto é um exemplo de má governação e de má negociação que está a afetar efetivamente e pode pôr em causa irremediavelmente esta legislação do trabalho”, considerou.

André Ventura disse que o CHEGA esteve, desde o primeiro momento, disponível para consensualizar uma posição nesta matéria e que, até hoje, o Governo não deu nenhum passo de aproximação.

“Portanto, eu não sei o que é que vai acontecer na quinta-feira, tudo indica que a UGT não aceitará esse acordo, o CHEGA sempre disse que estaria disponível para isso, não podem é pedir ao CHEGA que abdique de tudo aquilo em que acredita, que não seja tido nem achado e que esteja lá no parlamento só para dizer que sim ao Governo, não foi para isso que nos elegeram líderes da oposição, não foi para isso que fizeram do CHEGA a segunda força política”, reforçou.

Ouvida hoje no parlamento numa audição regimental, a ministra do Trabalho disse que depois de a proposta de lei entrar no parlamento, o Governo “negociará com todos os partidos que queiram negociar”, em resposta a uma pergunta do deputado do PS Miguel Cabrita, que tinha avisado que não seria com os socialistas que o diploma será aprovado.

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