“Deixaram-no morrer”: testemunho emotivo de viúva na CPI ao INEM denuncia demora no socorro

Uma espera de quase duas horas por socorro, duas chamadas sem resposta eficaz e um desfecho trágico: o testemunho de uma viúva na CPI ao INEM expôs, com emoção, falhas graves no sistema de emergência.

© Folha Nacional

Um testemunho emotivo e detalhado marcou, esta quarta-feira, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao INEM, com uma viúva a relatar os momentos que antecederam a morte do marido, apontando à demora no socorro e à resposta recebida durante os pedidos de ajuda.

Visivelmente abalada, a mulher descreveu que foram realizadas duas chamadas para os serviços de emergência, em momentos distintos, enquanto o estado do companheiro se agravava, apesar de este aparentar manter-se calmo. Segundo o seu relato, entre contactos e tentativas de obter assistência, passaram cerca de uma hora e 50 minutos sem que chegasse ajuda ao local.

Na última chamada, feita pelo próprio marido, foi-lhes dito que “têm de esperar, não é como vocês querem”, uma resposta que, segundo afirmou, intensificou o sentimento de desespero. “O meu marido suplicou por ajuda”, recordou, sublinhando o agravamento do estado clínico.

Perante a ausência de socorro imediato, a mulher optou por transportar o companheiro para o hospital pelos próprios meios, acabando por se culpabilizar pela decisão. “Hoje penso que devia ter ido logo”, disse, assumindo o peso da dúvida e da responsabilidade que sente após o desfecho.

O momento mais marcante do testemunho surgiu quando afirmou: “Deixaram-no morrer”, atribuindo à demora na assistência e à falta de empatia um papel determinante na morte do marido.

No final da audição, a deputada do CHEGA, Cláudia Estêvão, dirigiu palavras de solidariedade à viúva e apresentou um pedido de desculpa pela situação relatada. A mulher agradeceu o gesto, destacando a sensibilidade demonstrada naquele momento.

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