Número de pessoas internadas após terem alta aumenta 19% e ultrapassa 2.800

Um total de 2.807 pessoas continuaram em março internadas nos hospitais públicos após terem alta clínica, mais 19% do que no mesmo mês de 2025, fazendo com que 13,9% das camas do SNS estivessem ocupadas com estes casos.

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Os dados constam da décima edição do Barómetro dos Internamentos Sociais da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), realizado em parceria com a EY Portugal, hoje divulgado e que estima que os internamentos inapropriados custam ao Estado mais 350 milhões de euros.

No último barómetro, o total de internamentos inapropriados foi de 2.342, passando em março deste ano para 2.807, ou seja, mais 465 casos de pessoas que não deviam estar hospitalizadas no espaço de um ano.

O estudo considera internamento inapropriado todos os dias que um doente passa no hospital, após alta clínica, e quando não existe um motivo de saúde que justifique a sua permanência nesse ambiente hospitalar.

Segundo o barómetro, os internamentos inapropriados representam já 13,9% dos internados nos hospitais públicos, quando há dois anos, estavam nos 11,1% e, em 2025, nos 11,7%.

“Este índice reflete agora um custo anual para o Estado de 351 milhões de euros por ano, mais 63 milhões do que no barómetro anterior”, alerta o estudo, avançando que os serviços do SNS registaram 439.871 dias deste tipo de internamentos no espaço de um ano, mais 20% do que na análise anterior.

Quanto ao tempo médio dos internamentos sociais, o barómetro concluiu que se manteve praticamente inalterado – 157 dias a nível nacional -, embora se verifiquem variações relevantes entre regiões, que vão dos 239 dias no Norte, 124 em Lisboa e Vale do Tejo e 32 dias no Alentejo.

A análise revelou também que Lisboa e Vale do Tejo e o Norte são responsáveis por 85% do total dos internamentos inapropriados a nível nacional e que a falta de resposta da Rede Nacional de Cuidados Continuados (RNCCI) foi responsável pela maior parte (45%) dessas situações, acima dos 38% do ano anterior.

Este é o principal motivo de internamento social em todas as regiões do país, salienta o estudo.

“Os internamentos sociais continuam a pressionar de forma considerável a capacidade de resposta do SNS, com impacto direto na eficiência dos serviços e no acesso aos cuidados”, alertou o presidente da APAH.

Xavier Barreto, citado num comunicado, defendeu ainda ser “fundamental apostar no reforço da capacidade instalada” fora dos hospitais e numa agilização dos processos legais, em particular no que toca ao Regime do Maior Acompanhado, que “continua a constituir um bloqueio à alta”.

“O investimento no apoio domiciliário e nos cuidadores deve também ser encarado como uma prioridade estrutural”, salientou o responsável da associação.

O estudo adiantou também que os hospitais do SNS possuem alternativas aos internamentos sociais, caso de 27 instituições, sendo que, a 19 de março, estavam 1.035 doentes em vagas contratualizadas e 714 tinham sido integrados, no âmbito da aplicação de uma portaria de 2023.

O barómetro conclui que o aumento da capacidade da RNCCI, das estruturas residenciais para pessoas idosas e de respostas intermédias, incluindo saúde mental, é determinante para reduzir a permanência hospitalar após alta clínica, permitindo acelerar a integração dos utentes em respostas adequadas e libertar camas hospitalares.

Outra das conclusões aponta para a necessidade de expansão e qualificação do Serviço de Apoio Domiciliário, com equipas multidisciplinares e maior capacidade de resposta, enquanto alternativa estrutural ao internamento hospitalar.

A décima edição Barómetro de Internamentos Sociais, que conta com o apoio institucional da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública e da Ordem dos Assistentes Sociais, contou com a participação de 41 hospitais públicos, num total de 20.383 camas, representando 97% da capacidade total de internamento do SNS.

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