Relação mantém prisão preventiva de ex-adjunto da Justiça

O Tribunal da Relação de Lisboa decidiu manter em prisão preventiva o ex-adjunto da antiga ministra da Justiça Catarina Sarmento e Castro acusado de crimes de pornografia e abuso de menores.

© Folha Nacional

A decisão, dos desembargadores Francisco Henriques, Cristina Almeida e Sousa e Sofia Rodrigues, tomada a 8 de abril, avançada por vários meios de comunicação social, nega a pretensão de Paulo Abreu dos Santos de ser colocado em prisão domiciliária.

O arguido está indiciado por 576 crimes qualificados de pornografia de menores, quatro dos quais de produção própria, e dois crimes de abuso sexual de crianças, depois de uma investigação com origem nos Estados Unidos o ter sinalizado como participante em grupos de partilha de vídeos de abuso de menores, que levaram a uma operação da Polícia Judiciária que apreendeu telemóveis com centenas de ficheiros com abusos de menores.

“O perigo de continuação da atividade criminosa é premente. Foi afirmação do próprio recorrente que o seu companheiro o ameaçou de denúncia às autoridades policiais caso não se desfizesse dos ficheiros pornográficos. Esta atitude demonstra uma grande adição a esse tipo de conteúdos, da qual não será fácil de evitar a repetição de comportamentos similares. Nem mesmo através de tratamento psicológico ou psiquiátrico — como pretende fazer crer o recorrente”, lê-se no acórdão.

A argumentação dos desembargadores nega um pedido do arguido, que propõe passar a prisão domiciliária com vigilância eletrónica ficando impedido de aceder à internet e redes sociais e iniciar um processo de terapia, que seria uma “oportunidade para combater (…) traumas (…) e (…) fantasmas”.

Sublinhando ter sido sempre cooperante com as autoridades e com as buscas e diligências do processo, Paulo Abreu dos Santos manifesta vergonha e arrependimento em relação à matéria do processo, uma “fase negra da sua vida”, e alega não ter tido com os vídeos que produziu “nenhuma intenção sexual de atacar, de ser um predador”.

Segundo a defesa de Paulo Abreu dos Santos, “o arguido requereu tratamento psicológico no sentido de ‘repor’ as competências sociais” que o Ministério Público alega não existirem de forma a permitir que a medida de coação seja alterada.

A defesa contrapôs que “se está em causa um comportamento perigoso, por o arguido não deter competências sociais, (…) a medida de coação prisão preventiva não é a adequada para a reposição dessas competências e para que ganhe as capacidades de «integridade, responsabilidade e de interesse pelo outro»”.

No entanto, o coletivo de desembargadores decidiu manter a prisão preventiva por entender que a medida de coação é “proporcional à gravidade da conduta criminosa” do arguido e porque “não existe outra medida de coação que permita acautelar o perigo de continuação da atividade criminosa”.

“Com efeito, os meios de vigilância eletrónica não são eficazes para impedir a facilidade de acesso à internet. Nem mesmo, dando por boa, a vontade da mãe e do irmão do recorrente em trabalhar ativamente para o afastar do meio digital”, alegou o coletivo de desembargadores.

Os juízes acrescentam que “a permanência na habitação de alguém que abusou sexualmente de menores não apazigua a perturbação da ordem, nem a necessidade de tranquilidade pública”.

“Assim sendo, não é adequada a substituição da medida de coação imposta ao recorrente tendo em consideração os perigo enunciados”, determinam.

Paulo Abreu dos Santos, 38 anos, advogado e ex-adjunto do Ministério da Justiça entre 26 de setembro de 2022 e 02 de setembro de 2023, quando este era tutelado por Catarina Sarmento e Castro, está indiciado de 576 crimes qualificados de pornografia de menores, quatro deles por produção própria de vídeos, e dois crimes de abuso sexual de crianças.

Era também assistente convidado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que suspendeu o vínculo contratual com o advogado.

Está em prisão preventiva desde dezembro de 2025.

Últimas do País

Os pais de um menino de três anos foram detidos por suspeitas de maus-tratos físicos, psicológicos e psíquicos à criança, em Vendas Novas, no distrito de Évora, divulgou hoje o Ministério Público.
Um homem, de 44 anos, ficou em prisão preventiva, na ilha de São Miguel, Açores, por ser suspeito de 29 crimes, entre os quais de condução ilegal, coação sobre funcionário e ofensas à integridade física, anunciou hoje a PSP.
O novo sistema informático de colocação de médicos no internato da especialidade começou a funcionar, mas as primeiras 161 colocações ficaram marcadas por falhas. O processo teve de ser repetido, aumentando a desconfiança entre os candidatos.
Um jovem foi atingido por dois tiros durante um ataque protagonizado por quatro homens encapuzados, a poucos metros da Câmara Municipal da Amadora. Os suspeitos fugiram e a Polícia Judiciária está a investigar o caso.
O Governo investiu milhões de euros na expansão da rede de creches, mas a oferta continua a não chegar para todas as crianças. Nem os fundos do PRR nem o programa Creche Feliz conseguiram eliminar a falta de vagas.
Milhões de euros em refeições escolares continuam por pagar, deixando as autarquias com encargos acumulados. Os pagamentos em atraso dizem respeito às refeições fornecidas aos alunos nas escolas.
Um administrador de insolvências foi condenado a oito anos e seis meses de prisão por envolvimento num esquema de burlas que ultrapassou um milhão de euros. Os lucros obtidos através das operações fraudulentas eram colocados em nome da namorada.
A presidente do Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) acusou a ministra da Saúde de não cumprir a promessa sobre o INEM, referindo que o instituto está com menos de 30 médicos no quadro quando estão previstos 70 lugares.
A Polícia Judiciária (PJ) deteve uma mulher com um mandado de detenção internacional para cumprimento de uma pena de nove anos e quatro meses por associação criminosa e tráfico de droga, segundo informação divulgada hoje.
O Tribunal de Aveiro condenou hoje dois arguidos, pai e filho, a penas de cinco anos e meio e sete anos de prisão por vários roubos violentos a idosos ocorridos em 2024 e 2025.