Produtor da campanha de Moedas recebe 75 mil euros por ajuste direto da Câmara de Lisboa

Seis meses depois de integrar a noite eleitoral de Carlos Moedas, um produtor ligado à campanha recebeu 75 mil euros por ajuste direto da Câmara de Lisboa para organizar um evento com bilhetes até 300 euros.

© Facebook de Carlos Moedas

A Câmara de Lisboa, através da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), atribuiu 75 mil euros por ajuste direto à empresa de Gonçalo Castel-Branco, produtor de eventos que integrou a estrutura da noite eleitoral de Carlos Moedas nas últimas autárquicas, revelou a revista Sábado.

Seis meses depois de ter sido visto nos bastidores da noite da vitória de Carlos Moedas, a 12 de outubro de 2025, Gonçalo Castel-Branco viu a sua empresa, a LOHAD, receber um ajuste direto para a conceção, coprodução e apresentação de um evento no Parque Eduardo VII, agendado para 3 de maio.

Em causa está a iniciativa ‘Um Domingo na Avenida’, promovida como um “chic-nic elegante no coração de Lisboa”, com bilhetes entre 150 e 300 euros, apesar de beneficiar de financiamento público.

Segundo o contrato, a que a revista Sábado teve acesso, a adjudicação foi aprovada a 31 de março de 2026 pelo presidente do conselho de administração da EGEAC, Pedro Moreira, e inclui a produção de um evento com componente gastronómica e espetáculo musical, com atuações da Orquestra Académica Metropolitana e de David Fonseca.

Gonçalo Castel-Branco confirmou ter trabalhado na noite eleitoral de Carlos Moedas, garantindo, no entanto, que essa colaboração “não tem qualquer ligação” ao apoio agora atribuído pela autarquia. O produtor afirma ter assegurado apoio técnico à campanha e admite ter sido remunerado por esse trabalho, recusando, porém, revelar o montante recebido.

O empresário sustenta ainda que o evento já estava previsto no ano anterior, sem apoio municipal, mas acabou por ser cancelado devido ao mau tempo. Este ano, obteve o apoio de 75 mil euros, justificando o financiamento com a componente cultural e musical da iniciativa.

Questionada sobre o caso, a Câmara de Lisboa remeteu esclarecimentos para a estrutura de campanha de Carlos Moedas e para a EGEAC.

Já a EGEAC justificou a adjudicação com a sua política de apoio a projetos culturais em espaço público, sublinhando que o envolvimento da empresa municipal se limita à contratação de artistas e à disponibilização de meios técnicos e logísticos.

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