Quatro em 10 estudantes da Universidade de Lisboa sentem ansiedade frequentemente

Quarenta por cento dos estudantes da Universidade de Lisboa têm crises de ansiedade frequentemente e 35% raramente, indica um estudo sobre saúde mental da Associação Académica da universidade, que é apresentado hoje.

© D.R.

“O inquérito confirma níveis elevados de ansiedade, desmotivação, isolamento, dificuldade em dormir e vontade de desistir dos estudos, ao mesmo tempo que evidencia o peso da precariedade financeira e das condições de vida no agravamento do sofrimento psicológico”, conclui o estudo com base num inquérito telefónico realizado entre 19 de fevereiro e 6 de março.

O Estudo sobre a Saúde Mental dos Estudantes da Universidade de Lisboa revela ainda que apenas 5% dos inquiridos diz nunca sentir crises de ansiedade, enquanto 3% declara “vivê-las sempre, o que confirma que a ansiedade é uma experiência comum na amostra”.

Além disso, são 83% os que respondem que “às vezes” se sentem bem física e psicologicamente, enquanto 34% referem ter sempre dificuldades em dormir bem e 41% o experienciam às vezes.

O desinteresse ou desmotivação em relação às tarefas diárias é sentido ocasionalmente por 72% dos inquiridos e sempre por 20%, tendo 40% indicado que frequentemente tem vontade de se isolar de amigos ou familiares.

“Os dados de rastreio revelam sinais relevantes de sofrimento psicológico entre os estudantes”, refere o estudo desenvolvido pela Associação Académica da Universidade de Lisboa (AAUL), com base numa amostra de 503 alunos, 77,5% do género feminino e 44,5% dos quais tem entre 18 e 20 anos, enquanto 35% tem entre 21 e 23 anos. Dos participantes, 22% são bolseiros.

De acordo com o estudo, 56% dos inquiridos responde “já ter ponderado desistir dos estudos por esgotamento psicológico”, valor que entre os bolseiros é ligeiramente superior (59%).

Um estudo divulgado em junho do ano passado, intitulado “Ecossistemas de Aprendizagem Saudáveis nas Instituições de Ensino Superior em Portugal” e que envolveu mais de 2.300 alunos, mostrou que 40% dos estudantes do ensino superior consomem psicotrópicos e que um em cada 10 toma anfetaminas ou estimulantes, revelando níveis elevados de esgotamento e falta de apoio psicológico.

A este nível, o estudo da associação académica refere que “65% dos estudantes afirmam não conhecer o cheque psicólogo, o que mostra uma baixa literacia sobre este apoio”, e que “apenas 35% dizem conhecer esta medida”, sendo que, “entre estes, só 9% já a utilizaram, o que revela uma adesão muito reduzida” o que “pode indicar desconhecimento, dificuldade de acesso ou pouca confiança nos mecanismos disponíveis”.

O programa dos cheques-psicólogo, para garantir consultas gratuitas a estudantes do ensino superior, foi lançado em setembro de 2024 e suspenso um ano depois para, segundo o Governo, ser reformulado e alargado a todos os jovens.

A entrada em vigor da nova versão foi prevista para o primeiro semestre deste ano.

“Os dados recolhidos pela AAUL mostram que a saúde mental no ensino superior tem de ser tratada como um problema estrutural que afeta de forma direta a permanência, o desempenho e o bem-estar dos estudantes”, conclui o estudo.

Considerando “ainda insuficiente” a resposta pública, alerta que “muitos dos apoios existentes dependem de financiamento temporário do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência], com término previsto para 31 de agosto de 2026”.

“A principal mensagem que resulta da análise destes dados, conjugada com uma leitura da realidade atual, é que sem um financiamento estável, um acesso efetivo e serviços permanentes e, sobretudo, bem divulgados, não será possível garantir uma verdadeira política de saúde mental no ensino superior”, assinala.

A AAUL apresenta o estudo hoje à tarde em conferência de imprensa.

Últimas do País

Os sete detidos em Lousada na operação da GNR que culminou com o encerramento de nove residências que funcionavam como lares ilegais, estão indiciados por associação criminosa, por 178 crimes de maus-tratos e alguns por homicídio.
A Autoestrada 6 (A6) está cortada ao trânsito em ambos os sentido entre os quilómetros 17 e 18, junto a Vendas Novas, no distrito de Évora, devido a um incêndio em pasto, revelou fonte da Proteção Civil.
Um homem de 37 anos foi detido pela GNR por suspeitas de violência doméstica, no concelho de Sines, distrito de Setúbal, contra a sua companheira, de 27 anos, divulgou hoje aquela força de segurança.
André Ventura afirmou hoje que o CHEGA “não se vende, nem verga” e justificou o voto contra a revisão da lei laboral dizendo que quem não aceita descer a idade da reforma não conta com o partido.
O partido de André Ventura votou contra a proposta do Executivo após falharem as negociações com o PSD. Reforma laboral caiu na generalidade.
António tem 32 anos, três filhos para criar e uma embarcação para sustentar. Filho e neto de pescadores, diz que os prazos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) são impossíveis de cumprir devido à falta de mão de obra e de matéria-prima.
Doze homens e duas mulheres foram detidas pela GNR, na quinta-feira, pela prática dos crimes de tráfico de estupefacientes, associação criminosa e posse de arma proibida nos concelho de Ferreira do Alentejo e Aljustrel, distrito de Beja.
Sete distritos de Portugal continental vão estar no sábado e no domingo sob aviso amarelo devido à previsão de tempo quente, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
A Guarda Nacional Republicana (GNR) apreendeu mais de 13 mil produtos contrafeitos entre 01 de maio e 05 de junho em Portugal, na denominada operação 'Trademark 2026', tendo sido constituídos 24 arguidos.
Vinte e três concelhos dos distritos de Bragança, Castelo Branco, Santarém, Portalegre e Faro estão hoje em perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).