Portugal enfrenta, há longos anos, um drama silencioso, mas devastador, onde milhares de cidadãos, na sua maioria idosos, permanecem internados em hospitais do SNS muito depois de terem alta clínica. São as chamadas “altas sociais”. Não por necessidade de cuidados médicos, mas por ausência de resposta social. Em janeiro de 2026, registavam-se cerca de 2.800 casos. O problema não é novo, mas tornou-se insustentável.
O que assistimos não é um simples “atraso administrativo”, é o retrato fiel do colapso do Estado Social tal como foi construído pelo PS e pelos partidos do sistema.
O paciente tem alta médica, mas ou não tem família disponível, ou não tem vaga em lares, ou não tem apoio domiciliário suficiente nem cuidados continuados acessíveis. Fica no hospital, ocupando uma cama cara, expondo-se a infeções hospitalares e impedindo a entrada de outros doentes que realmente precisam. O custo é elevado — centenas de milhões de euros por ano — e a dignidade humana é zero.
A culpa não é da “falta de dinheiro”, é da falta de coordenação, de planeamento e de coragem política. Assistimos a uma guerrilha surda entre o Ministério da Saúde e o da Segurança Social. Ninguém quer assumir os gastos nem a responsabilidade. O PS, que governou durante anos, integrou mal as respostas sociais, burocratizou tudo e desresponsabilizou as famílias. Agora, com medidas cosméticas, tenta-se disfarçar a falência de um modelo.
Constantemente, tenho denunciado este escândalo com clareza. O problema das altas sociais expõe um sistema em falência. Um Estado que gasta fortunas em burocracia e clientelismo, mas falha na proteção dos mais vulneráveis. Um Estado que abandona as famílias portuguesas, deixando os filhos e netos exaustos e sem alternativas.
Não aceitamos esta resignação. Defendemos uma abordagem diferente, onde de deve priorizar o apoio às famílias portuguesas, com incentivos fiscais e financeiros concretos para quem cuida dos seus idosos em casa. Exigir eficiência na Rede Nacional de Cuidados Continuados e na resposta do setor social e solidário, acabando com a promiscuidade entre o público e o privado que serve interesses instalados. E, acima de tudo, assumir que o Estado não pode, nem deve, substituir a família, mas tem o dever de a apoiar, em vez de a penalizar.
As altas sociais não são um acidente de percurso. São o resultado previsível de décadas de políticas que destruíram a natalidade e enfraqueceram as famílias.