PORTUGAL, DESPERTA A contar tostões

O português nasce acorrentado por hábitos, medo e resignação. Ensinaram-no a ser quieto, previsível e agradecido pelo mínimo. Trabalha para sobreviver e paga para existir. E quando chega ao fim do mês exausto, ainda lhe dizem que devia sentir-se privilegiado.
Salários baixos. Rendas sem controlo. Contas a subir mais depressa do que a vida. E mesmo assim há políticos a celebrar porque o país ainda não rebentou.
Prometem progresso há décadas e governam a decadência.
Mudam governos, mudam slogans, mudam ministros. Mas, no fim, ficamos sempre com a sensação de que nada mexe realmente. Porque quem está confortável dentro do sistema raramente tem interesse em mudá-lo.
Há uma geração inteira que carregou este país às costas. Gente que acordou cedo quarenta anos seguidos. Trabalhou doente, passou frio e descontou sem falhar. E agora vê a reforma afastar-se como se envelhecer fosse uma falha pessoal.
Falam de sustentabilidade enquanto nunca abdicam dos próprios privilégios. Pedem sacrifícios sempre aos mesmos. Aos que trabalham. Aos que contam tostões. Aos que já vivem no limite há demasiado tempo.
E talvez o mais perigoso seja a forma como nos habituámos.
Habituámo-nos às listas de espera. Aos salários curtos. À ideia de sobreviver em vez de viver. À frase “podia ser pior”.
O país foi-se desgastando devagar. Em pequenas desistências. Em silêncios. Em promessas repetidas até perderem significado.
Cada um desses silêncios teve um rosto.
Teve um nome.
Teve um voto.

Artigos do mesmo autor

Há momentos na vida de um país que pesam mais do que o calendário onde estão inscritos. São epifanias colectivas, momentos em que o país se olha ao espelho e decide se continuará a repetir os gestos e erros de sempre ou se ousará reinventar-se. O dia 18 de Janeiro de 2026 é um desses […]

A comunicação social em Portugal não está de joelhos por acaso, está porque tem de estar. Os 55 milhões de euros anunciados pelo Governo, em Outubro de 2024, e despejados nos principais órgãos de comunicação social foram tudo menos inocentes. Disseram que era para contribuir para “o pluralismo e a independência da comunicação social.” O […]

Se já estamos todos incrédulos com as polémicas que envolvem o primeiro-ministro Luís Montenegro, só faltava o expediente arquitectado pelo partido comunista para fugir de eleições e ver a sua bancada parlamentar provavelmente reduzida a pó. Isto mostra o nível a que chegou a política portuguesa. Já não bastava um primeiro-ministro que não declara rendimentos […]

A expressão “persona non grata” vem do latim e significa literalmente “pessoa não grata” ou “pessoa indesejável” e tem a sua origem no direito diplomático internacional, tendo a expressão ganho um uso formal através da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961 onde é especificado que um país anfitrião pode, a qualquer momento e […]

O CHEGA! é a única força política que tem a coragem de abordar questões que muitos preferem evitar. A realidade nas nossas ruas é preocupante e, em muitas cidades, a criminalidade está a aumentar. A esquerda radical, a extrema-esquerda e este governo, como sempre, parecem não reconhecer o problema e continuam a ignorar o que […]