Apoios do PRR? Pescador investiu tudo para modernizar o barco. Agora teme naufragar nos prazos do programa

António tem 32 anos, três filhos para criar e uma embarcação para sustentar. Filho e neto de pescadores, diz que os prazos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) são impossíveis de cumprir devido à falta de mão de obra e de matéria-prima.

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A história de António, pescador de 32 anos, é o retrato das dificuldades enfrentadas por muitos profissionais do setor da pesca que procuraram modernizar a sua atividade através dos apoios do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Numa carta enviada ao Folha Nacional, o pescador descreve uma vida marcada pelo mar, pela perda e pelo sacrifício.

“Sempre vivi do mar. Os meus avós eram pescadores. O meu pai era pescador. E no mar ficou”, escreve.

A tragédia marcou-lhe a vida ainda em criança. António tinha apenas 12 anos quando perdeu o pai no mar. Apesar da dor, decidiu seguir o mesmo caminho.

“Aprendi a amar a pesca com os meus avós e com o exemplo do meu pai”, relata.

Anos mais tarde, movido pelo desejo de honrar a memória da família, investiu tudo o que tinha, e o que não tinha, para adquirir uma embarcação própria. Hoje, além da atividade profissional, carrega responsabilidades familiares e financeiras significativas.

“Tenho uma casa para pagar, três filhos para criar e empregados para sustentar”, refere.

Foi nesse contexto que decidiu candidatar-se aos apoios disponibilizados através do PRR, esperando reforçar a atividade e garantir melhores condições para o futuro. No entanto, denuncia que os obstáculos burocráticos e as dificuldades do mercado estão a transformar o processo numa corrida contra o tempo.

“Os prazos são apertados. Pior ainda: falta matéria-prima e mão de obra. Há situações em que é humanamente impossível cumprir os calendários de execução”, alerta.

Entre o aumento dos custos de produção, a escassez de trabalhadores especializados e os atrasos na execução dos projetos, muitos pescadores receiam que os apoios prometidos acabem por não produzir os efeitos esperados no terreno.

Para António, a questão ultrapassa a simples gestão de um projeto. É uma questão de sobrevivência profissional, de responsabilidade para com a família e de respeito por uma tradição que atravessa gerações.

“O mar levou-me o pai. Mas foi também o mar que me ensinou a trabalhar e a nunca desistir”, resume.

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