Médio Tejo antecipa ondas de calor e reforça resposta em saúde pública

A Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo considerou hoje que o modelo preditivo de temperaturas extremas desenvolvido na região tem sido uma "mais-valia" na proteção da população e na redução dos impactos das ondas de calor.

© D.R.

O médico Paulo Luís, responsável da Unidade de Saúde Pública (USP) da ULS Médio Tejo, disse à agência Lusa que o sistema tem permitido “antecipar situações de risco” e “ativar respostas graduadas em função das previsões meteorológicas”, com ganhos na prevenção da saúde, redução de índices de mortalidade e na organização dos serviços.

“Temos capacidade preditiva para perceber quando existirão condições de temperaturas elevadas ou baixas com impacto na saúde. Isso permite emitir alertas e preparar a resposta antes de os danos ocorrerem”, afirmou o responsável da USP da ULS Médio Tejo, com sede em Torres Novas, no distrito de Santarém.

Segundo Paulo Luís, o modelo integra o plano local de preparação e resposta sazonal em saúde e permite ajustar medidas de prevenção, desde a informação à população até à articulação com proteção civil, autarquias, forças de segurança e instituições sociais.

Com base nesse sistema, a ULS Médio Tejo emitiu no sábado um alerta amarelo devido às temperaturas elevadas previstas para a região, situação que deverá manter-se até quarta-feira, caso se confirmem as previsões meteorológicas.

O responsável explicou que a resposta inclui comunicação dirigida a estruturas residenciais para idosos, escolas, creches e população em geral, com recomendações de autoproteção e de proteção de grupos vulneráveis.

“Os mais vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas com doenças crónicas, exigem especial atenção, e também as redes de proximidade têm aqui um papel fundamental”, referiu.

Paulo Luís sublinhou que o sistema tem vindo a ser ajustado com base na monitorização diária de indicadores de saúde, permitindo detetar eventuais alterações na procura de cuidados.

“Até ao momento, não temos registado aumento significativo da procura nas urgências, o que está dentro do esperado para esta altura do ano”, disse.

O modelo, desenvolvido pela ULS Médio Tejo, foi apresentado inicialmente em 2024 e integra atualmente o plano de resposta coordenada a fenómenos climáticos extremos, sendo utilizado desde o verão de 2024 na emissão de alertas.

Segundo o responsável, o sistema foi agora apresentado a nível nacional e está a ser analisada a sua eventual replicação noutras Unidades Locais de Saúde do país.

“Este modelo foi apresentado à Direção-Geral da Saúde e às várias direções regionais e está em avaliação para possível implementação noutras ULS”, afirmou.

Paulo Luís adiantou que o sistema permite emitir alertas com maior antecedência, especialmente em situações de maior risco, o que melhora a capacidade de resposta dos serviços de saúde e da proteção civil, seja no inverno ou no verão.

De acordo com o responsável, os alertas vermelhos podem ser emitidos até 48 horas antes.

O médico sublinhou ainda que o modelo tem contribuído para reduzir o impacto das ondas de calor na saúde da população, num contexto em que estes fenómenos têm aumentado em frequência e intensidade.

“Tem sido uma ferramenta muito útil, porque permite informar antecipadamente a população e preparar os serviços, sendo uma mais-valia na redução do impacto em saúde”, afirmou.

Segundo Paulo Luís, o modelo enquadra-se numa estratégia mais ampla de adaptação às alterações climáticas e de prevenção de excessos de mortalidade associados a eventos extremos.

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