No contexto da geopolítica moderna, muito se tem discutido sobre se a China de Xi Jinping se tornará ou não a próxima maior superpotência mundial, ultrapassando assim a potência em vigor, que são os Estados Unidos da América. Este artigo tem como objetivo apenas descrever a minha opinião sobre se isso de facto é ou não possível, e algumas questões que reforçam imensamente essa ideia. Relembro que este artigo é apenas uma pequena análise e que, recomendo estudarem bastante sobre tal, já que em Portugal, e essa é a minha perceção, que a geopolítica internacional é muitas vezes deixada para segundo plano, ainda mais questões fora do continente europeu.
Para responder de uma forma direta à pergunta presente no título, sim, é bem possível, e até realista, a possibilidade da China ultrapassar os EUA como a maior potência. E vou elaborar esse ponto de vista em dois pontos:
Primeiro Ponto: O processo natural da história
Na trajetória da história humana os impérios em destaque acabavam por ser substituídos por potências anteriormente consideradas menores. Existem vários exemplos para demonstrar isso: como o Império Romano (do Ocidente) em 467, que foi substituído pelos diversos reinos e zonas feudais ao longo da Idade Média; o Império Mongol que acabou por ser substituído pelas próximas dinastias chinesas e pela ascensão do Grão-Ducado de Moscovo; o Império Português, Espanhol e a República dos Países Baixos, que foram ultrapassados pela rápida ascensão do Império Britânico a partir do século XVII e XVIII; e o mesmo que acabou por ser substituído pelas duas superpotências da Guerra Fria, a partir de 1949.
Todos tiveram uma coisa em comum: não foram totalmente destruídos por causa de guerras com outros países, isso por sinal não acaba decididamente com uma potência. O que realmente extingue com uma superpotência é um conjunto de fatores e eventos, como a incapacidade de solucionar disputas, conflitos internos e guerras civis, a falta de confiança e moral de um povo, a submissão do país aos interesses de terceiros e a incapacidade de aumentar o seu poderio industrial e cultural.
Segundo Ponto: Os erros do Ocidente corrigidos pela China
Atualmente os Estados Unidos, e principalmente o chamado Ocidente, tanto pela parte política quanto de herança cultural, têm cometido diversos “erros”, que a China observou atentamente e que, consequentemente, hoje em dia a tornaram na principal rival dos EUA e o seu possível sucessor. Alguns desses erros corrigidos são:
1. Investimento pesado em tecnologia, sobretudo no ramo militar, algo que o Ocidente deixou de lado. Podemos constatar que hoje em dia grande parte da tecnologia, e sobretudo no setor da Inteligência Artificial é liderada pela China;
2. Supervalorização da indústria e do comércio internacional, não é exagero dizer que a China é praticamente dita como a fábrica do mundo, sobretudo porque quase tudo é fabricado, ou em partes, criado na China;
3. Acordos estratégicos com diversos países, sobretudo do chamado Sul Global, como a África e a América Latina. Não é por acaso que a China investe bastante nos países africanos, que são ricos em recursos naturais decisivos para uma grande indústria com uma grande população;
4. Alianças internacionais com países considerados como inimigos ou neutros em relação ao Ocidente, e que podem resultar na substituição das alianças/acordos militares e económicos dos EUA. Dois exemplos seriam a Organização para a Cooperação de Xangai e os BRICS, que adicionou mais 6 países ao seu grupo entre meados de 2024 e de 2025.
Para terminar, importa sublinhar que o artigo em si é apenas uma pequena amostra do porquê a China poder eventualmente ultrapassar os EUA como a maior superpotência, e deixo também uma recomendação de um livro aprofundado sobre o tema: Ordem Tripolar – O Mundo dos Grandes Poderes, de Sónia Sénica, Investigadora de Relações Internacionais.