O concelho do Seixal é frequentemente apontado como um dos territórios com maior potencial da Área Metropolitana de Lisboa. A sua localização privilegiada, a Baía do Seixal, o dinamismo da sua população e a proximidade à capital fazem deste concelho um espaço de oportunidades únicas para viver, trabalhar e investir.
Contudo, entre esse potencial e a realidade continua a existir um fosso que os seixalenses sentem todos os dias. Quem vive, trabalha ou estuda no concelho sabe que o problema já não é a falta de anúncios. É a falta de resultados. E é precisamente essa distância entre aquilo que é prometido e aquilo que é concretizado que alimenta um sentimento crescente de desilusão e impaciência.
Ao longo dos anos foram anunciados projetos estruturantes: a valorização da Baía do Seixal, a requalificação da frente ribeirinha, novas infraestruturas, melhores acessibilidades e investimentos capazes de transformar o concelho. Muitos desses projetos continuam por concretizar ou avançam a um ritmo demasiado lento, alimentando a sensação de que o futuro anunciado tarda sempre em chegar.
O exemplo mais evidente é a alternativa à EN10. Há mais de vinte anos que os seixalenses ouvem falar da necessidade desta via estruturante, considerada essencial para melhorar a mobilidade no concelho. Entretanto, milhares de pessoas continuam diariamente confrontadas com longas filas de trânsito, perda de tempo, aumento dos custos de deslocação e menor qualidade de vida. Mais de duas décadas depois, o problema já não é saber se a alternativa é necessária. Essa discussão está encerrada há muito. O que os seixalenses esperam é que as promessas deem finalmente lugar à obra.
Também na educação continuam a existir situações que exigem respostas rápidas e eficazes. O caso mais recente é o da Escola Básica da Quinta do Conde de Portalegre, na Amora, onde alunos, pais, professores e funcionários denunciaram publicamente as dificuldades provocadas pelas atuais condições provisórias decorrentes das obras de ampliação. Independentemente do caráter temporário da solução, é legítimo questionar se foram acauteladas as melhores condições para toda a comunidade escolar durante este período. A educação deve ser sempre uma prioridade e as intervenções desta
natureza devem minimizar, tanto quanto possível, o impacto na aprendizagem e no bem-estar dos alunos.
Persistem igualmente preocupações relacionadas com o abastecimento e a qualidade da água em algumas zonas do concelho. Existem processos urbanísticos que continuam a arrastar-se durante anos, dificultando a vida de cidadãos e empresas. Em diferentes áreas, multiplicam-se problemas cuja resolução tarda, alimentando um sentimento de frustração que não pode ser ignorado.
Quem vive no Seixal não pede privilégios. Pede apenas que os problemas deixem de ser encarados como inevitáveis. Pede decisões, prazos cumpridos, transparência e a confiança de que os compromissos assumidos sejam efetivamente concretizados.
O desenvolvimento de um concelho não se mede pelo número de apresentações públicas, pelas maquetes ou pelos anúncios. Mede-se pela capacidade de executar, pela confiança que os cidadãos depositam nas instituições e pelos resultados que sentem no seu dia a dia.
O Seixal reúne todas as condições para ser uma referência na Margem Sul. Tem uma localização estratégica, um património natural único, um forte movimento associativo, empresas inovadoras e uma população trabalhadora que acredita no futuro da sua terra.
Mas esse potencial exige liderança, planeamento rigoroso, capacidade de execução e uma gestão orientada para resultados.
Num Estado de direito democrático, questionar opções políticas não é bloquear o desenvolvimento. Pelo contrário, é um dever de quem exerce funções públicas e um direito de todos os cidadãos. O escrutínio, a transparência e o debate de ideias são instrumentos essenciais para garantir que as decisões públicas correspondem às reais necessidades da população e que os recursos públicos são geridos com responsabilidade.
O Seixal já esperou tempo suficiente. Os seus habitantes merecem mais do que calendários sucessivamente adiados e promessas repetidas. Merecem obras concluídas, respostas eficazes e uma gestão pública à altura do enorme potencial do concelho.
O problema do Seixal já não é a falta de planos. É o excesso de promessas e a escassez de resultados.
O Seixal tem todas as condições para afirmar-se como um dos concelhos de referência da Área Metropolitana de Lisboa. Mas o potencial, por si só, não melhora a vida das pessoas. Só a capacidade de decidir, executar e cumprir os compromissos assumidos transforma promessas em qualidade de vida.
Os seixalenses já esperaram demasiado tempo. Está na hora de fazer acontecer.