Bombeiros de Pedrógão mudam para instalações provisórias na zona industrial

Os Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande estão a funcionar, provisoriamente, desde sexta-feira, num edifício cedido pela autarquia na zona industrial do concelho, enquanto aguardam a reparação da cobertura do quartel danificado pela tempestade Kristin.

“Temos estado em contentores, suportando uma despesa enorme para a associação. São 4.100 euros mensais, acrescidos de IVA. Agora mudámos para as instalações cedidas pelo município, na zona industrial, para onde alocámos as viaturas e os contentores”, disse à agência Lusa o presidente da direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, Luís David.

egundo o dirigente, a mudança dá “melhores condições aos homens e mulheres” que “estavam a viver dentro de tendas cedidas pelo INEM [Instituto Nacional de Emergência Médica] na garagem do quartel”.

A tempestade Kristin, no dia 28 de janeiro, provocou danos no quartel dos bombeiros, com prejuízos na ordem de 720 mil euros.

“Neste momento, só temos o valor disponibilizado pela seguradora, pelo que só poderemos avançar com a reparação da cobertura do quartel”, explicou Luís David, ao referir que a recuperação do telhado tem um custo de cerca de 190 mil euros.

A escolha do empreiteiro a quem será adjudicada a obra deverá ser feita na próxima reunião da direção, na quarta-feira, onde serão analisados os três orçamentos apresentados à associação.

Luís David afirmou que a recuperação do telhado é uma prioridade, até porque “é importante que a obra fique concluída antes do inverno”.

O presidente reconheceu, contudo, que o quartel precisa de outras intervenções no seu interior: “O piso do primeiro andar ficou danificado, tal como as camaratas dos bombeiros. A parte elétrica foi destruída e terá de ser refeita, mas essas obras terão de ser feitas numa segunda fase”, resignou-se, lamentando a falta de apoios, nomeadamente os aprovados pelo Estado, que ainda não chegaram.

“Tínhamos um plano de remodelação de todo o quartel, para o qual não temos verba, pelo que só iremos colmatar as necessidades à medida que tivermos dinheiro”, acrescentou, sublinhando que quer garantir a estabilidade financeira da associação.

Nas instalações municipais, para onde se mudou “apenas o essencial”, haverá um espaço de descanso para os bombeiros, a central de comunicações e o secretariado. O parque dos veículos de socorro é descoberto, situação que deverá ser alterada pela Câmara de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria.

O dirigente associativo esclareceu ainda que “os carros de socorro não devem ficar ao sol, para que possam chegar às ocorrências com uma temperatura amena”, avançando que a autarquia prevê uma solução, pelo menos, para parquear as ambulâncias.

O presidente da Câmara de Pedrógão Grande, João Marques, tinha avançado à Lusa, em 18 de fevereiro, que o quartel dos bombeiros, que ficou inoperacional desde a depressão Kristin, iria ser instalado transitoriamente na Zona Industrial do Valbom.

“Decidimos adquirir o lote 14, que tem um pavilhão de uma empresa que estava desativada, com cerca de 1.500 metros quadrados”, declarou João Marques.

O mesmo espaço vai também acolher o Serviço Municipal de Proteção Civil, além da Associação dos Produtores e Proprietários Florestais e da Associação de Desenvolvimento Pinhais do Zêzere, cujas instalações também foram muito afetadas pelo mau tempo.

“A intenção foi alojar estes serviços que nós consideramos essenciais e também alguns da Câmara, cujos edifícios também ficaram deteriorados”, explicou, na ocasião, o presidente daquele município do distrito de Leiria.

O impacto das tempestades que atingiram o país no início do ano foi de 5,3 mil milhões de euros, sendo que, para a reconstrução, foram mobilizados, até à data, cerca de 4,3 mil milhões de euros. O total aprovado/pago é na ordem dos 3,6 mil milhões de euros.

Em causa estão prejuízos em 90 municípios em situação de calamidade, a que se somaram mais 32.

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