Os Senhores dos Anéis

Não, não é de agora. Mas, não é por não ser de agora que é menos verdadeira, menos correcta ou menos factual a infeliz constatação de que Portugal não é governado por aqueles que são democraticamente eleitos para os cargos executivos que cíclica e temporariamente ocupam, da mesma forma que as grandes decisões que moldam e definem o presente, o futuro próximo ou a realidade mais distante do país não são determinadas pelo que é comumente descrito como ‘Bem Comum’ ou ‘Causa Pública’.

Na realidade aqueles que, nos termos da lei, formalmente exercem as lideranças políticas limitam-se, obedientemente, a assinar por baixo, a cumprir, a implementar e a defender as opiniões, as posturas e a decisões tomadas por certos poderes fácticos, que, muito longe dos olhos do Povo, do escrutínio parlamentar e com a conivência da comunicação social vendida, coleccionam dossiers, informações e favores feitos, os quais carregam um tipo de relevância relevância, um tipo de abrangência e uma panóplia de implicações profundas para certos políticos eleitos que lhes garantem, independentemente do que a lei estabelece, o poder de navegar os corredores da governação e as salas das decisões com notável arrogância, inconfundível promiscuidade e assinalável impunidade.

Vimos isso com Ricardo Salgado, o verdadeiro patrão de muitos governantes. Vimos isso com José Sócrates, o marionetista da ‘Operação Marquês’. Vimos isso com Armando Vara, símbolo funesto da ‘Face Oculta’. Vimos isso com Manuel Pinho, o ministro de muitos chapéus. Vimos isso com António Costa, o zeloso executor da agenda globalista e arquitecto da política trágica de fronteiras abertas. Vemos isso com Luís Neves, o inspector dos mega-processos e das manchetes, que hoje se assume como o verdadeiro protagonista de uma Justiça que não se move e de uma governação que tem amarrada ao seu dedo e aos seus ímpetos, tudo à custa de trinta anos de escutas criteriosamente feitas, de segredos oportunamente arquivados, de podres cautelosamente catalogados e de enigmas decifrados, mas convenientemente ocultados para uso futuro.

O que figuras sinistras como estas traduzem, evidenciam e comprovam é um regime capturado por interesses obscuros, no qual o poder ‘de facto’ está total e efectivamente sobreposto ao poder ‘de jure’ e onde redes de influência, compadrio, amiguismo e corrupção corroem a confiança dos cidadãos nas instituições e anulam capacidade de o sistema político responder de forma clara e eficaz aos legítimos interesses e às reais necessidades da população. Na verdade, este é um sistema que se protege a si próprio, que recompensa a proximidade em vez do mérito e que patenteia a constatação de que existem regras diferentes para quem pertence às elites e para quem apenas suporta o peso das suas decisões.

Cada vez faz mais sentido a IV República. Que chegue depressa.

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