Esquerdistas, que bandeira escolhem quando as duas colidem?

O atentado em Berlim, a 25 de Julho de 2026, foi mais um momento de revelação política. O ataque matou uma mulher e feriu 29 pessoas. O suspeito fugiu do local e foi morto pela polícia no dia seguinte, depois de avançar contra os agentes empunhando uma faca. Um acto terrorista hediondo que exige uma condenação inequívoca.
Num vídeo divulgado nas redes sociais, uma representante ligada à comunidade LGBT confessou que, ao ouvir a notícia de um carro a entrar na multidão, o seu primeiro pensamento foi desejar que o autor não fosse “um árabe-muçulmano”, mas antes “uma pessoa cristã branca”. A frase expõe a rachadela dentro do próprio edifício de ideias da esquerda.

A reacção da activista traiu o que realmente estava em jogo. Um agressor cristão teria sido perfeito para o guião. Era mais uma prova da extrema-direita violenta. Um muçulmano estraga a peça toda, obriga a esquerda a escolher entre duas bandeiras que jurou nunca ter de escolher. É aqui, e não no desabafo em si, que se mede a gravidade do momento.

Há três décadas que a esquerda europeia vive à boleia de duas causas ao mesmo tempo. Uma, o activismo LGBT que reivindica liberdade sexual e igualdade plena como sua bandeira de progresso. Outra, portas abertas para comunidades oriundas de contextos islâmicos que mantém valores tradicionais sobre família e sexualidade.
Defender as duas, isoladamente, é legítimo. Fingir que nunca chocam é que não é.

Berlim encarregou-se de o provar. A integração é hoje um problema de segurança nacional, ponto final. Mas quem o diz continua a ser tratado como extremista, xenófobo, transgressor moral, em vez de ser ouvido. A vigília acabou com o faz-de-conta.

Em França, no Reino Unido e na Alemanha os sinais acumulam-se há décadas. Integração falhada, No-Go Zones, a imposição da sharia. Há relatórios oficiais há anos sobre isto que a esquerda tenta esconder. Agora que a contradição já não cabe debaixo do tapete, esconde-se no silêncio.

Se um atentado destes acontecesse cá, a esquerda faria algo parecido porque já vimos este filme vezes de mais para fingir surpresa. Se o agressor não fosse do perfil que convém, desviaria o foco da vítima para a “brutalidade policial” que matou um desenraizado que o Estado não soube proteger.

Chega de fingir. Quando os factos desmentem um discurso, a esquerda sacrifica os factos para que a história continue a fazer sentido dentro da sua doutrina. É um sistema construído para proteger uma narrativa, em vez de proteger as pessoas. É por isso que se cala perante o perfil do atacante, em vez de chorar a vítima. Quantos mais têm de morrer para que se admita, em voz alta, aquilo que toda a gente já sabe em silêncio? Cada silêncio cúmplice é gasolina em cima da próxima explosão.

Artigos do mesmo autor

Os actos de violência sobre pessoas são absolutamente condenáveis e repugnantes devendo ser punidos pela Justiça de forma célere, quer tenham sido cometidos por cidadãos nacionais ou estrangeiros. No caso concreto do incidente no Porto com imigrantes estrangeiros, são actos igualmente condenáveis e revestem-se de particular atenção pois é fundamental perceber as razões do conflito […]

Associada às comemorações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974 a Guerra Colonial representa um papel importante na nossa História. Teve as suas razões para a origem, para o seu desenvolvimento e para o seu fim. Muitas interpretações e opiniões podem ser feitas, com mais ou menos juízos de valor ou estados de […]