Contas de Luís Neves não explicam 417 mil euros investidos em montes no Alentejo

Ministro disse que os empréstimos usados na compra dos montes estavam declarados. Em causa estão quatro propriedades situadas na freguesia de São Teotónio, no concelho de Odemira.

© Folha Nacional

Luís Neves volta a enfrentar dúvidas sobre o seu património. Desta vez, as questões prendem-se com a forma como o atual ministro da Administração Interna terá financiado a aquisição de quatro propriedades no Baixo Alentejo, num investimento global de 417,5 mil euros ao longo de 14 anos, segundo avança o jornal SOL.

O governante, que dirigiu a Polícia Judiciária entre 2018 e fevereiro de 2026, garante que as aquisições foram financiadas através de capitais próprios e empréstimos bancários. Assegura ainda que os financiamentos e créditos hipotecários constam das declarações patrimoniais apresentadas às entidades competentes.

Na conferência de imprensa de 29 de julho, Luís Neves chegou mesmo a desafiar a consulta desses documentos, afirmando que os empréstimos contraídos junto da banca poderiam ser confirmados na declaração entregue à Entidade para a Transparência.

Contudo, uma investigação conjunta do SOL, TVI e CNN Portugal, após consulta da documentação, sustenta que os elementos declarados não permitem identificar os empréstimos que terão financiado a totalidade das aquisições, levantando novas dúvidas sobre a origem de parte do dinheiro utilizado.

Em causa estão quatro propriedades situadas na freguesia de São Teotónio, no concelho de Odemira. A primeira, com 9,6 hectares, foi adquirida pela mulher de Luís Neves, em 2011, por 100 mil euros. Já em fevereiro de 2024, o casal comprou mais duas propriedades, por 110 mil e 80 mil euros, respetivamente.

A aquisição mais recente ocorreu em junho de 2025, quando Luís Neves ainda exercia funções como diretor nacional da Polícia Judiciária. O Monte da Pomba, com 29,4 hectares, foi adquirido por 127,5 mil euros.

Somadas, as quatro aquisições representam um investimento de 417,5 mil euros. Segundo a investigação jornalística, este montante não encontra correspondência integral nos elementos patrimoniais declarados pelo atual ministro.

Luís Neves rejeita qualquer falta de transparência e garante ter declarado os rendimentos, financiamentos, créditos hipotecários e aquisições. A documentação consultada pelos jornalistas, porém, não permitirá esclarecer integralmente de onde veio o dinheiro utilizado na compra das quatro propriedades, mantendo em aberto as dúvidas sobre o financiamento do património.

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