Há momentos em política em que a questão já não é apenas saber se existiu ilegalidade. É saber se, perante um conjunto de circunstâncias graves e dúvidas legítimas, ainda existem condições para exercer um cargo de elevada responsabilidade.
O caso que envolve Luís Neves, atual ministro da Administração Interna e antigo diretor nacional da Polícia Judiciária, reúne demasiadas perguntas para ser tratado como uma simples polémica mediática.
Está em causa a relação com um empresário cuja empresa realizou trabalhos para a PJ durante o período em que Luís Neves dirigia aquela instituição e que, posteriormente, realizou obras numa propriedade do atual ministro. Existem ainda dúvidas relacionadas com um atrelado apreendido pela PJ que acabou por ficar nas instalações desse empresário. O Ministério Público acompanha o caso e Luís Neves rejeita qualquer favorecimento.
Mas um ministro da Administração Interna não pode exigir aos portugueses apenas a presunção da sua inocência. Tem também de garantir confiança, transparência e escrutínio.
É precisamente por isso que o Chega defendeu a realização de uma Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na PJ e no Governo.
Não se trata de condenar antecipadamente ninguém. Trata-se de esclarecer tudo.
Portugal está cansado de casos em que as dúvidas se acumulam enquanto os responsáveis políticos permanecem agarrados aos cargos.
Se não há nada a esconder, que se abra tudo ao escrutínio.
O país não precisa de explicações vagas. Precisa de respostas concretas, documentos e responsabilidades.
Porque, quando está em causa quem dirige as forças de segurança, a confiança dos portugueses não pode ser um detalhe.