O crescimento do número de alunos registado nos últimos anos nas escolas portuguesas foi alimentado, em grande parte, pela entrada de estudantes estrangeiros no sistema de ensino. Os números ajudam a perceber a dimensão da transformação: entre 2014 e 2023, a população escolar de nacionalidade estrangeira na rede pública aumentou 283% e, em 2023/24, já representava cerca de um em cada sete alunos.
Em contraste, o relatório ‘Educação em Números — Portugal 2026’, da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), mostra que Portugal tinha 1.699.976 alunos em 2014/15. Dez anos depois, o número caiu para 1.612.094. São menos 87.882 estudantes, uma quebra de cerca de 5,2%.
A descida foi contínua durante vários anos, até o país atingir um mínimo de 1.570.791 alunos em 2020/21. Seguiu-se uma recuperação durante três anos, mas esse crescimento esteve associado, em larga medida, à entrada de mais estudantes estrangeiros. Em 2024/25, a tendência voltou a inverter-se: Portugal perdeu mais 1851 alunos num único ano.
Um em cada sete alunos da escola pública já é estrangeiro
Segundo dados divulgados pelo ECO, em junho passado, com base no Balanço Anual da Educação 2026 do EDULOG, um em cada sete alunos das escolas públicas tinha nacionalidade estrangeira em 2023/24. Em vários municípios do Algarve, Área Metropolitana de Lisboa e Península de Setúbal, a proporção ultrapassava já os 30%.
O aumento de alunos estrangeiros está também a criar desafios às escolas. Segundo o estudo, estes estudantes chumbam entre três a cinco vezes mais do que os portugueses. No ensino secundário, 29% dos alunos estrangeiros ficaram retidos, contra apenas 8,3% dos portugueses.
Quase 900 escolas desapareceram do mapa
O relatório ‘Educação em Números — Portugal 2026’ mostra ainda a redução do número de alunos foi acompanhada pelo encolhimento da própria rede escolar. Portugal passou de 8898 estabelecimentos de ensino em 2014/15 para 8002 em 2024/25. Em apenas uma década, são menos 896 estabelecimentos.