Nove chefes da urgência pediátrica do D. Estefânia apresentam demissão

Os nove chefes de equipa da urgência pediátrica do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, apresentaram na quinta-feira a demissão dos cargos, alegando constrangimentos com a anestesiologia, confirmou hoje a Unidade Local de Saúde (ULS) São José.

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A unidade de saúde adiantou à agência Lusa que recebeu na quinta-feira, às 21:53, a carta de demissão de funções dos nove chefes de equipa, que se reporta “exclusivamente às funções de coordenação e chefia” que desempenhavam na urgência pediátrica.

“Na comunicação remetida à instituição, os profissionais justificam a decisão com os constrangimentos associados à anestesiologia”, referiu a ULS, ao avançar que conselho de administração tem “acompanhado de perto esta situação, mantendo um diálogo próximo e permanente com as equipas” e adotando medidas que permitam reforçar o serviço de anestesiologia.

A notícia foi avançada pela RTP na quinta-feira, adiantando que todos os chefes de equipa da urgência pediátrica tinham apresentado a demissão, alegando falta de condições para assegurar o serviço, em especial a falta de anestesistas.

Na resposta hoje enviada à Lusa, a ULS São José reconheceu que, durante o período de férias, têm existido “constrangimentos no preenchimento das escalas de anestesiologia, atribuindo essa situação à menor disponibilidade de profissionais associada ao gozo das férias, mas também à escassez de médicos anestesiologistas a nível nacional.

“Esta situação tem exigido a implementação de reajustamentos pontuais nos serviços, sempre com o objetivo de garantir a qualidade e a segurança dos cuidados prestados”, salientou a unidade local de saúde.

Garantiu ainda que, além disso, tem desenvolvido “todos os esforços” para reforçar os recursos humanos nesta área, promovendo a captação de especialistas e recorrendo, sempre que necessário, a outros mecanismos complementares, como a prestação de serviços e a colaboração de médicos aposentados.

A ULS São José recordou ainda que foi classificada como zona geográfica carenciada para a especialidade de anestesiologia no despacho do Governo deste ano que prevê a atribuição de incentivos aos médicos a contratar pelas ULS.

“A expectativa é que, com o final do período tradicional de férias, a situação retome gradualmente a normalidade”, avançou ainda a ULS São José.

No final de agosto, a ministra da Saúde admitiu a falta de médicos anestesiologistas na ULS de São José e em outros locais do país.

“É um bocadinho por todo o país, mas tudo se reflete mais na região de Lisboa e Vale do Tejo”, assumiu Ana Paula Martins, em declarações aos jornalistas na ocasião.

“No verão temos sempre situações mais críticas, porque os médicos têm as suas férias e existem menos recursos humanos do que aqueles que precisaríamos para ter equipas mais reforçadas. Um dos casos é a anestesiologia”, disse a governante.

As declarações de Ana Paula Martins foram feitas na sequência do alerta do Sindicato dos Médicos da Zona Sul para a “grave escassez” de anestesiologistas na Unidade Local de Saúde de São José.

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